Mendonça exige documentos da apuração em investigação do INSS — e a PF resiste
Ministro André Mendonça cobra envio de todas as provas da investigação do INSS à PF e gera impasse institucional que envolve AGU e governo
Por ContraFatos 31/07/2026 Atualizado em 31/07/2026
Ministro do STF, André Mendonça, pregou contra corrupção, em culto evangélico, em São Paulo. (Foto: Reprodução/Igreja Presbiteriana de Pinheiros)
Divergência sobre documentos da apuração mobiliza AGU e expõe tensão entre o STF e a corporação policial
Uma disputa institucional entre o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal ganhou novos contornos na investigação sobre fraudes no INSS. O ministroAndré Mendonça, relator do inquérito, determinou que a PF envie ao seu gabinete todos os documentos brutos produzidos durante a apuração — e não apenas os relatórios consolidados, como é praxe na corporação.
Delegados reagem e defendem autonomia da PF
A decisão gerou forte resistência entre delegados da Polícia Federal, que consideram a exigência uma ameaça à autonomia investigativa. Segundo a PF, o procedimento-padrão prevê que as provas sejam analisadas internamente e que apenas os documentos já consolidados sejam encaminhados ao relator, de modo a preservar a cadeia de custódia do material.
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Além da cobrança pelo envio integral dos documentos, André Mendonça estabeleceu há mais de um mês outra regra: qualquer alteração na equipe responsável pelo inquérito precisa de autorização prévia do Supremo Tribunal Federal. A medida reforçou a insatisfação dentro da corporação.
Justificativa do ministro do STF
De acordo com o portal Metrópoles, André Mendonça justificou suas determinações alegando a necessidade de blindar a investigação contra interferências políticas. O ministro também quis assegurar o acesso da defesa aos elementos já produzidos e às diligências concluídas.
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Outro fator que pesou na decisão foi a informação recebida pelo magistrado de que depoimentos e relatórios periódicos não estariam sendo anexados aos autos conforme determinações anteriores do próprio relator.
AGU é acionada para resolver o conflito
Diante do impasse, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, manteve a posição da corporação e transferiu a questão para a Advocacia-Geral da União (AGU). A divergência, porém, ainda não encontrou solução: o advogado-geral da União, Jorge Messias, não conseguiu equacionar o conflito até o momento.
A crise também repercutiu entre outros integrantes do governo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, optou por não contestar a decisão de Mendonça, embora tampouco tenha se manifestado em apoio às exigências do ministro.
Investigação sobre fraudes no INSS segue sob tensão
O caso evidencia uma rara disputa aberta entre o STF e a Polícia Federal sobre os limites de atuação de cada instituição em investigações criminais sensíveis. Enquanto o relator busca controle total sobre o fluxo de informações e a composição da equipe investigativa, a PF insiste em preservar seus protocolos operacionais e sua independência funcional.