“Impende realçar a ocorrência de fato que agudiza os riscos de vazamento indevido da operação no presente caso. Trata-se de solicitação de audiência, por parte de um dos investigados, recebida pelo meu gabinete, enquanto Ministro relator do caso, no mesmo dia em que aportaram as representações da Polícia Federal relacionadas à presente fase investigativa (09/06/2026), inclusive em horário anterior à distribuição de algumas das representações formuladas”, escreveu Mendonça.
O ministro quer confirmar se de fato houve vazamento e se a origem do problema está na própria Polícia Federal.
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Entrar no grupo Propina, apartamento e papel de intermediário junto a Lula
A investigação conduzida por Mendonça apura o recebimento de propina pelo senador Wagner por meio do Banco Master. A suspeita envolve um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões que teria sido repassado ao petista.
Além disso, a PF reuniu evidências de que Daniel Vorcaro, dono do Master, teria agendado encontro com Wagner dentro do Senado Federal. Vorcaro também teria colocado à disposição do senador um avião “em hangar discreto”. Em diálogos captados pelos investigadores, o banqueiro mencionou que Wagner serviria como intermediário para enviar recados diretamente ao presidente Lula.
Busca e apreensão e tentativa frustrada de venda de terreno
A nona fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em 18 de junho, quando Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão. No dia seguinte à operação, o senador tentou vender um terreno avaliado em R$ 15 milhões, localizado na região metropolitana de Salvador. A transação, porém, foi barrada pelo cartório diante de uma ordem judicial de bloqueio de bens já em vigor.
Monitoramento discreto para preservar a investigação
A autorização para acompanhar a antena do celular de Wagner por dez dias teve como justificativa a necessidade de evitar a exposição prematura do caso. Diligências ostensivas, segundo o ministro, poderiam comprometer todo o trabalho investigativo.
“Nesse cenário, diligências ostensivas de campo, vigilância presencial ou coleta aberta de informações junto a terceiros podem expor prematuramente a investigação, permitindo troca de aparelhos, destruição de provas digitais, evasão, ocultação de documentos ou coordenação de versões”, explicou André Mendonça.
Na decisão desta quinta-feira, o ministro retirou o sigilo do processo que trata tanto da quebra de sigilo quanto do monitoramento do parlamentar.