Presidente argentino afirma ter afinidade com a família Bolsonaro e rejeita conversa com o governo brasileiro
O presidente da Argentina, Javier Milei, declarou que prefere uma vitória da família Bolsonaro nas próximas eleições presidenciais brasileiras. Na mesma entrevista, ele afirmou não ter interesse em dialogar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a situação da Venezuela.
A declaração foi dada em entrevista à CNN em sua versão espanhola. A conversa foi gravada em 30 de dezembro e divulgada na sexta-feira, em um momento de agravamento das tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina.
Preferência explícita pela família Bolsonaro
Ao comentar o cenário político brasileiro, Milei disse reconhecer que a decisão cabe aos eleitores do Brasil, mas deixou clara sua posição pessoal.
“É uma escolha dos brasileiros, com a diferença de que lá tenho amigos, os Bolsonaro. Se me tirarem do lugar de político, está claro que prefiro uma solução com os Bolsonaro e não uma solução com o socialismo do século XXI”, afirmou.
A fala ocorreu antes da captura de Nicolás Maduro, quando Milei analisava o contexto regional e a postura de governos sul-americanos diante da crise venezuelana.
Críticas diretas a Lula e à política externa brasileira
Na entrevista, o presidente argentino fez críticas contundentes ao posicionamento de Lula em relação à Venezuela, associando o governo brasileiro ao que chamou de “socialismo do século XXI”.
Segundo Milei, não haveria espaço para negociação com governos alinhados a esse campo ideológico. Ele afirmou que esses regimes não arcariam com os custos de suas decisões e que aliados políticos tenderiam a se proteger mutuamente.
“Não tenho nada a conversar com Lula sobre esse tema. Não conversei nem me interessa”, disse, ao descartar qualquer iniciativa diplomática conjunta sobre a Venezuela.
Repercussão entre Eduardo e Flávio Bolsonaro
As declarações tiveram reação imediata entre integrantes da família Bolsonaro. Neste sábado, Milei compartilhou em suas redes sociais mensagens de apoio enviadas por Eduardo Bolsonaro e pelo senador Flávio Bolsonaro.
Eduardo elogiou Milei ao afirmar que o presidente argentino possui uma “bússola moral sólida” e conhece os riscos do comunismo, do socialismo e do progressismo. Ele também projetou o cenário eleitoral brasileiro de 2026, dizendo que a disputa se resumirá a Lula ou Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, apontado como possível candidato à Presidência, também reagiu positivamente. Em publicação, afirmou que a Argentina teria um parceiro comercial estratégico no Brasil a partir de 2027, agradecendo diretamente a Milei.
Relação entre Brasil e Argentina se deteriora
O embate entre Milei e Lula vinha se intensificando nas semanas anteriores à entrevista. Em um dos episódios mais tensos, o presidente argentino publicou um mapa da América do Sul que retratava o Brasil como uma gigantesca favela, gesto que provocou protestos formais do governo brasileiro.
As divergências também avançaram para o campo diplomático. O governo Lula decidiu devolver à Argentina a responsabilidade pela embaixada em Caracas, que estava sob custódia do Brasil desde agosto de 2024.
A decisão foi comunicada poucos dias após a queda de Maduro e, segundo diplomatas, levou em consideração tanto o novo cenário político venezuelano quanto o desgaste acumulado na relação bilateral com o governo Milei.