Milei diz que governo de Lula destinou recursos para campanha anti-argentina e critica proibição de visita a Bolsonaro
Presidente argentino Javier Milei afirma que governo Lula financiou campanha anti-argentina e critica proibição de visitar Bolsonaro em prisão domiciliar
Por ContraFatos 27/07/2026 Atualizado em 27/07/2026
Javier Milei Foto: EFE/ André Coelho
Presidente argentino aponta Brasil, México e Partido Democrata como financiadores de ofensiva contra a Argentina durante a Copa do Mundo de 2026
Uma nova crise diplomática entre Brasil e Argentina ganhou força neste domingo (26), depois que o presidenteJavier Milei afirmou, em entrevista à rádio Mitre, que o governo de Lula direcionou dinheiro para uma suposta campanha anti-argentina em meio à Copa do Mundo de 2026. Segundo o líder argentino, a seleção e o país vêm sendo alvo de uma série de críticas coordenadas.
Acusação direta ao governo brasileiro
De acordo com Milei, um quarto dos recursos utilizados nessa ofensiva teria origem no governo do Brasil. Ele também apontou a administração mexicana e o Partido Democrata, dos Estados Unidos, como envolvidos na articulação.
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“Sabe quem mais colocou dinheiro nesta campanha anti-argentina? O governo do Brasil. 25% dos recursos saíram do governo do Brasil. E depois eles vêm me falar de interferência. Além disso, [os brasileiros] desempenharam um papel muito ativo na campanha de 2023. Ou vocês já se esqueceram de que os assessores de [Sergio] Massa [que concorreu à Presidência da Argentina em 2023] eram um grupo de brasileiros enviados por Lula?” – indagou.
Visita negada a Bolsonaro e comparação com Lula e Kirchner
Outro ponto levantado por Milei durante a entrevista foi a recusa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em permitir que ele visitasse o ex-presidenteJair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
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O presidente argentino fez uma comparação direta com a visita que Lula realizou a Cristina Kirchner em julho de 2025, quando a ex-presidente argentina já estava em prisão domiciliar após condenação a seis anos de reclusão por administração fraudulenta e desvio de fundos públicos.
“Quis ver meu amigo Jair Bolsonaro e não me deixaram, mas aqui o ex-presidiário [referência a Lula] veio cumprimentar a ré [Cristina Kirchner], não é? Ninguém o proibiu. No entanto, não me deixaram visitar meu amigo que, além disso, está preso injustamente” – adicionou.
Origem da escalada de tensão entre os dois líderes
O agravamento da relação entre Milei e Lula tem raízes recentes. Durante a convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, o presidente argentino fez declarações agressivas contra o mandatário brasileiro, chamando Lula de “ex-presidiário” e referindo-se a Alexandre de Moraes como “lixo calvo”.
Essas falas provocaram reações do lado brasileiro e intensificaram a crise diplomática entre os dois países vizinhos, que já vinham acumulando atritos desde o início do governo Milei.