Mensalão vira “perseguição” no texto do manifesto
O documento não se limita a elogiar a trajetória de Dirceu. Vai além e, com uma retórica que beira o revisionismo, trata a condenação pelo esquema do mensalão de forma oblíqua, afirmando que o petista “foi alvo de perseguições, injustiças, calúnias e prisões”. Chamar de “injustiça” uma condenação criminal pelo Supremo Tribunal Federal é o tipo de ousadia que só uma militância que perdeu completamente a vergonha é capaz de sustentar.
Tratamento contra linfoma impede campanha presencial
José Dirceu não tem conseguido realizar campanha de forma convencional. O motivo é um tratamento contra um linfoma, o que torna o manifesto e os vídeos de apoio peças centrais da estratégia eleitoral do petista.
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Entrar no grupo O que diz o manifesto na íntegra
O texto distribui elogios generosos ao ex-ministro: “O Brasil precisa de José Dirceu na Câmara dos Deputados. José Dirceu é uma das mais importantes lideranças políticas da história recente do país. Como militante, dirigente partidário, deputado estadual, deputado federal e ministro de Estado, esteve presente em alguns dos momentos mais decisivos da vida nacional: da resistência à ditadura militar à redemocratização, da fundação do Partido dos Trabalhadores às transformações sociais promovidas pelos governos liderados por Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ao longo de décadas, participou ativamente da construção de projetos, estratégias e alianças que ajudaram a moldar a democracia brasileira”.
O documento vai além e tenta conferir ao pleito um caráter nacional: “A eleição de José Dirceu interessa não apenas a São Paulo, mas a todo o Brasil. Em tempos de desafios tão profundos, o país precisa de sua experiência, de sua capacidade de articulação e de seu compromisso histórico com a democracia, a soberania nacional, o desenvolvimento e a justiça social”.
Filho de Renato Russo cede música da Legião Urbana à campanha
A mobilização em torno de Dirceu não se restringe ao manifesto. Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo, autorizou que a campanha do petista utilize a música Fábrica, da Legião Urbana. A cessão do clássico reforça o esforço de construir uma narrativa cultural e emocional em torno da candidatura de um político que carrega no currículo uma condenação criminal que parte de seus apoiadores prefere simplesmente apagar da memória.