Helton Edi Xavier, responsável pelo sistema prisional do Estado, já admitiu contatos com facções e enfrenta críticas do Ministério Público
O secretário da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte, Helton Edi Xavier, provocou polêmica neste sábado, 6, após debochar da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma publicação no Instagram. O gestor, integrante do governo da petista Fátima Bezerra, compartilhou um post que associava a vida carcerária a práticas degradantes.
A publicação dizia que “nas prisões, só existem duas moedas de troca: cigarros e o cu” e finalizava com a frase: “Bolsonaro não fuma”. O conteúdo, revelado pelo Blog Gustavo Negreiro, rapidamente repercutiu e levantou questionamentos sobre a conduta do secretário. Atualmente, o perfil de Edi Xavier na rede social está restrito.
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Críticas e questionamentos sobre direitos humanos
O endosso à mensagem gerou reações negativas e abriu debate sobre a postura de autoridades responsáveis pela administração prisional. Organizações de direitos humanos e adversários políticos apontaram que o episódio demonstra desprezo pelo tratamento digno de detentos.
Edi Xavier é policial rodoviário federal, tem formação em Direito e ocupou funções no gabinete do vice-governador entre 2019 e 2022. Também foi responsável pela coordenação do Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte antes de assumir a Seap-RN.
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Não é a primeira vez que o secretário se vê envolvido em polêmicas. Em janeiro de 2023, Edi Xavier admitiu ter se reunido pessoalmente com José Kemps Pereira de Araújo, o “Alicate”, uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado.
Segundo ele, o encontro ocorreu logo após a prisão do criminoso, que estava foragido havia mais de seis meses. O motivo teria sido o receio de servidores em lidar com a reincorporação de Alicate ao sistema prisional potiguar.
“Eu não fui me apresentar”, disse Xavier em entrevista a uma rádio de Natal. “Fui dizer que ele tinha de respeitar todas as regras de dentro da cadeia. Ele não é um preso especial.” O secretário classificou esse tipo de contato como “corriqueiro” no exercício de sua função.
Fugas e negligências no sistema prisional
Outro episódio controverso ocorreu em abril de 2024, quando os presos Ricardo Campelo da Silva e Gustavo da Rocha Dias escaparam da Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, região metropolitana de Natal.
Os detentos estavam na “oficina dos trabalhadores” durante o horário de almoço, e as câmeras de segurança mostraram que abriram a porta da cela sem qualquer dificuldade. O protocolo exigia que o local estivesse trancado naquele horário. Em maio, o próprio Xavier admitiu indícios de negligência que facilitaram a fuga.
Pressão do Ministério Público pelo afastamento
Em 2025, os problemas na gestão prisional levaram o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) a pedir o afastamento temporário de Edi Xavier. A instituição acusa o secretário de descumprir decisões judiciais que determinavam melhorias nas condições das penitenciárias.
O MP aponta falhas graves, como falta de itens básicos de higiene pessoal, deficiências na assistência de saúde, presença de ratos nas celas, além de queixas sobre alimentação de baixa qualidade e fornecida em quantidade insuficiente. Também foram relatadas irregularidades na entrega de produtos de higiene coletiva e individual.