Ministros veem ‘PF paralela’ e procuram Fachin para denunciar o que temem ter sofrido
Fux e Nunes Marques procuraram Fachin para denunciar perseguição da PF paralela e alertar sobre espionagem contra ministros do STF
Por ContraFatos 08/09/2026 Atualizado em 08/09/2026
Luiz Fux e Nunes Marques se reuniram com Edson Fachin para denunciar 'arapongagem'
Magistrados relatam ‘perseguição inadmissível’ e temem devassa sobre suas vidas e de familiares
Uma reunião de caráter emergencial entre os ministros do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, Nunes Marques e Edson Fachin aconteceu nesta segunda-feira com um objetivo específico: denunciar o que os dois primeiros classificam como “perseguição inadmissível” conduzida pela Polícia Federal sob o comando de Andrei Rodrigues, afastado do cargo nesta mesma data por decisão do ministro André Mendonça.
Dossiê e recados ameaçadores envolvendo filhos dos ministros
Tanto Fux quanto Nunes Marques aparecem citados no dossiê utilizado por Alexandre de Moraes. Além disso, ambos teriam recebido recados indiretos de que suas vidas pessoais — e as de seus filhos, que exercem a advocacia — seriam devassadas caso manifestassem apoio a Mendonça.
Leitura
A suspeita dos dois ministros é de que reportagens publicadas pela imprensa contendo informações detalhadas sobre os clientes dos escritórios de seus filhos foram alimentadas por dados obtidos pela chamada PF paralela de Andrei Rodrigues.
Reportagens sobre escritórios de Rodrigo Fux e Kevin de Carvalho Marques
No caso de Rodrigo Fux, uma matéria divulgada em janeiro abordou o crescimento exponencial de ações captadas por seu escritório após a posse do pai no STF, em 2011. Outra reportagem, de teor semelhante, destacou o rápido sucesso do escritório de Kevin de Carvalho Marques, que, com apenas um ano de inscrição na OAB, teria conquistado clientes de grande porte como JBS e Master.
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Alerta a Fachin: outros ministros também podem ter sido espionados
Fux e Nunes Marques fizeram questão de alertar Fachin de que ele próprio pode ter sido alvo de investigações ilegais, assim como outros integrantes da Corte.
Mendonça identificou ‘espiões’ e adotou medidas de proteção
Situação parecida teria ocorrido com André Mendonça, que também passou a ser alvo de reportagens em razão de mensagens que sequer constam no inquérito do Master. Segundo relatos feitos a colegas, o ministro já havia identificado a devassa em andamento contra ele, descobriu quem eram os “espiões” envolvidos e implementou medidas de blindagem tanto em suas comunicações quanto em seus deslocamentos. Para evitar mais exposição midiática, Mendonça também se desligou do Iter.
Inquérito sobre a fábrica de dossiês
Na decisão que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal, André Mendonça ordenou a abertura de um inquérito voltado a investigar a chamada fábrica de dossiês. O propósito declarado é mapear o alcance da arapongagem institucional, identificar seus integrantes e descobrir quem são os mandantes dessas operações. A reportagem é de Claudio Dantas, publicada em 8 de setembro de 2026.