Em nota oficial enviada ao Washington Post, o Departamento de Estado confirmou que a viagem a Brasília acontecerá, porém não detalhou os objetivos específicos da missão nem esclareceu se existe alguma preocupação formal da Casa Branca em relação à integridade das eleições brasileiras. A postura dos EUA pode ser interpretada como uma iniciativa de acompanhamento democrático, prática comum em relações bilaterais entre grandes democracias.
Reação do Itamaraty e classificação como “manobra”
No lado brasileiro, a iniciativa gerou forte reação no Itamaraty. Dois diplomatas ouvidos pelo Washington Post classificaram a visita como uma “manobra” e indicaram que o governo brasileiro pretende impedir a entrada dos enviados no país.
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Entrar no grupo “É uma manobra completamente incompatível com a democracia brasileira”, afirmou um dos diplomatas. Segundo ele, o governo atuará para “proteger nosso sistema de votação”.
Autoridades brasileiras também manifestaram a suspeita de que Barnes e Samson planejam se reunir com críticos das urnas eletrônicas e elaborar um relatório com potencial para questionar a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro.
Contexto de tensão crescente entre Brasília e Washington
A missão diplomática acontece em um cenário de deterioração nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. O Washington Post aponta que as divergências envolvem temas como liberdade de expressão, o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e as tarifas comerciais recentemente impostas por Trump sobre produtos brasileiros.
Os EUA inauguraram uma nova fase de sua guerra comercial nesta sexta-feira. O governo brasileiro, em resposta, anunciou que dará início aos trâmites da Lei da Reciprocidade. Há, contudo, uma avaliação interna de que medidas concretas podem levar tempo, justamente para evitar uma escalada na resposta americana — o que seria ainda mais prejudicial do ponto de vista econômico e político, sobretudo em pleno período eleitoral.
Tarifas e impactos comerciais sobre o Brasil
Além da tarifa geral de 12,5%, o Brasil enfrenta uma sobretaxa adicional de 25%, anunciada dias antes pelo governo americano com base na Seção 301, sob alegação de práticas comerciais desleais. A medida, porém, prevê exceções para itens como carne bovina, minério de ferro, suco de laranja e aviões — setores estratégicos da pauta exportadora brasileira que foram preservados.
O setor produtivo brasileiro tem cobrado negociações diretas com Washington após o novo pacote tarifário, buscando minimizar os impactos e encontrar caminhos de entendimento entre as duas maiores economias das Américas.