De promessa de carreira a escravidão sexual
Segundo o portal Mash, a jovem foi transformada em “escrava sexual” de homens ricos logo após chegar ao país.
“Ela voou para Bangcoc para uma entrevista de emprego, mas em vez de trabalhar nas passarelas, foi levada para Mianmar e transformada em escrava sexual. Seus deveres incluíam ser bonita, servir seus ‘mestres’ e enganar pessoas ricas”, relatou o site.
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Os traficantes confiscaram seu passaporte e telefone, impedindo qualquer contato com familiares. As vítimas, segundo as autoridades, eram forçadas a viver em regime de cárcere privado e submetidas a torturas psicológicas.
Mianmar, país assolado por conflitos internos, abriga zonas dominadas por milícias e redes criminosas. Estimativas de organizações internacionais indicam que até 100 mil mulheres estrangeiras possam estar sendo mantidas em condições análogas à escravidão em diferentes regiões do país.
Execução e retirada de órgãos
Relatos de testemunhas e de investigadores apontam que Vera teria sido “descartada” após deixar de gerar lucro aos criminosos. “Quando ficou sem clientes, ela perdeu o valor e saiu de cena”, afirmou uma fonte citada pelo Mash.
Semanas depois, a família recebeu a notícia de que o corpo da modelo havia sido encontrado sem órgãos, evidenciando o envolvimento do grupo com o tráfico internacional de órgãos humanos.
Como os parentes não tinham recursos para repatriar o corpo, autoridades locais informaram que o corpo seria cremado, encerrando o drama com ainda mais dor e indignação.
Caso semelhante ajudou a revelar o esquema
O caso de Vera Kravtsova expôs novamente o mercado ilegal de tráfico humano e de órgãos que opera em regiões fronteiriças do Sudeste Asiático. Pouco antes, a modelo russa Dashinima Ochirnimayeva, de 24 anos, natural da Sibéria, viveu situação semelhante.
Ela também havia sido recrutada por falsos agentes de moda e estava “prestes a ser vendida” quando diplomatas russos conseguiram localizá-la e resgatá-la.
“Eles iam tirar meus órgãos. Foi um milagre terem chegado a tempo”, contou Dashinima, segundo o Mash.
Seus depoimentos ajudaram a abrir novas frentes de investigação sobre o crime organizado transnacional que atua em Mianmar, especializado em exploração sexual, extorsão e tráfico de órgãos.
Cresce alerta sobre falsas propostas de trabalho
Autoridades internacionais têm reforçado o alerta sobre golpes de aliciamento online, em que criminosos oferecem vagas de modelo, influenciadora ou hostess em países asiáticos. Na prática, tratam-se de armadilhas para o tráfico humano, nas quais as vítimas perdem documentos e são levadas a regiões controladas por redes de exploração.
Organizações de defesa de direitos humanos alertam que casos como o de Vera Kravtsova se multiplicaram em 2024 e 2025, especialmente envolvendo mulheres do Leste Europeu, América Latina e África.
As autoridades bielorrussas e tailandesas ainda investigam como a quadrilha convenceu Vera a viajar e quem financiou sua ida à Ásia, enquanto diplomatas tentam pressionar o governo de Mianmar a colaborar com as investigações.