“A decisão de hoje fala que, após a quebra dos aparelhos telefônicos do jornalista, a polícia concluiu que quem foi a fonte foi Raimundo Cutrim, que passava informações privilegiadas e tinha o apoio do advogado do jornalista, que também foi alvo de busca e apreensão hoje. Ou seja, estão investigando a fonte do jornalista e o advogado do jornalista, mas não investigam o que o jornalista denunciou, que foi o uso irregular dos carros oficiais”, disse à CNN Brasil o advogado de Cutrim, José Berilo de Freitas Leite.
PF pediu a medida e PGR deu aval
A assessoria do STF confirmou à CNN Brasil que a operação foi solicitada pela Polícia Federal e contou com o respaldo da Procuradoria-Geral da República. Em março, o próprio jornalista Luís Pablo já havia sido alvo de busca e apreensão após publicar as denúncias sobre o uso de viaturas oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por parte de Flávio Dino e seus familiares.
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Entrar no grupo Defesa critica foco da investigação
José Berilo de Freitas Leite também divulgou uma nota oficial sobre o caso:
“A defesa ainda não teve acesso aos processos, nem sobre as operações anteriores nem sobre as de hoje. Observa-se que as operações de hoje dizem respeito às notícias divulgadas pelo jornalista Luís Pablo referentes ao uso irregular, pela família do ministro Flávio Dino, de viaturas do Tribunal de Justiça do Maranhão, denúncias estas que seguem sem apuração. Raimundo Cutrim é visto pelos autores dos mandados de busca e apreensão como FONTE JORNALÍSTICA do jornalista Luís Pablo. A decisão quanto à operação de hoje foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes em atendimento a denúncia formulada pelo ministro Flávio Dino.”
A CNN Brasil procurou oficialmente o STF e aguarda uma posição.
Quem é Raimundo Cutrim
Delegado aposentado da Polícia Federal, Cutrim acumula uma longa trajetória na vida pública do Maranhão. Ele já exerceu os cargos de secretário de Segurança Pública do estado e deputado estadual, além de ter sido secretário de Estado durante o governo de Carlos Brandão, hoje adversário político de Flávio Dino. O próprio Cutrim é considerado um opositor de Dino.
Em 11 de julho, Cutrim gravou um vídeo no qual afirmou ter tomado conhecimento de ações judiciais contra ele por meio de uma “corrente de boatos” disseminada por parlamentares ligados ao ex-governador. Na ocasião, ele classificou a movimentação como uma “onda de terror” inserida no contexto da disputa eleitoral no estado.
Cutrim chegou a ser preso sob a acusação de participação em um homicídio, fato que ele nega.