Silêncio estratégico e prazo para esclarecimentos
Até o momento, Moraes optou pelo silêncio. Ele recuou do pronunciamento que faria na quinta-feira (10) e tem até 14 de setembro para prestar esclarecimentos ao STF, conforme prazo estipulado pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
A crise ganhou novos contornos depois que reportagens do Estadão revelaram a troca de 51 mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro ao longo de 21 dias. Na semana passada, Mendonça retirou o sigilo do documento da Polícia Federal, o que ampliou ainda mais a turbulência institucional.
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Entrar no grupo Linha de defesa esperada
A expectativa, segundo o texto do Estadão, é que Moraes argumente que não há como comprovar que o celular utilizado nas conversas pertence a ele. Trata-se de estratégia semelhante à que foi adotada no início do ano, quando vieram à tona as primeiras revelações sobre sua relação com o banqueiro.
Integrantes da magistratura avaliam, contudo, que o ministro não se limitará à defesa passiva. A leitura é de que ele levará a disputa diretamente ao plenário, tentando travar a votação por meio de questões de ordem e matérias preliminares antes que o mérito seja analisado.
Quatro ministros na mira de Moraes
Na definição do quórum da sessão de 15 de setembro, Moraes poderá levantar questionamentos sobre a imparcialidade de pelo menos quatro colegas, buscando impedir que participem da votação. Os possíveis alvos são:
André Mendonça
Relator do caso Banco Master e autor do pedido de investigação contra Moraes. Sua imparcialidade pode ser questionada por conta de apurações que apontaram uma reunião com Daniel Vorcaro na sede do Instituto Iter, instituição de ensino jurídico fundada por Mendonça em São Paulo.
Dias Toffoli
Foi o primeiro ministro citado nas denúncias e atuava como relator original do caso Banco Master. Toffoli deixou a relatoria após emergirem suspeitas ligadas a negociações financeiras envolvendo familiares. De acordo com o Estadão, empresas dos irmãos do ministro negociaram participações do resort Tayayá com um fundo ligado à Reag Investimentos e à estrutura do Banco Master.
Nunes Marques
Pode ser alvo de questionamentos por informações que envolvem seu filho e repasses relacionados ao Banco Master. Segundo apurações do Estadão, o banco e a JBS repassaram R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que realizou pagamentos ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro.
As mesmas apurações indicam que Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com a esposa em um avião particular pertencente à Prime You, empresa que administra bens de Daniel Vorcaro. O ministro participou de uma festa de aniversário na capital alagoana a convite de uma advogada que atua para o Banco Master e que teria arcado com os custos da viagem.
O ministro também pode entrar na mira. O advogado Rodrigo Fux, filho do magistrado, esteve em 2025 no camarote VIP de Daniel Vorcaro durante o Carnaval na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Ele assistiu ao Desfile das Campeãs em março daquele ano, conforme diálogos arquivados no celular do dono do Banco Master.
Presidência do STF em jogo
Para além da crise imediata, a situação levanta questionamentos sobre o futuro da Corte. Moraes é cotado para assumir a presidência do STF em 2027, e o desfecho dos desdobramentos atuais pode influenciar diretamente esse cenário.
Com informações de Estadão