Moraes quer pena de 14 anos de prisão a réu com câncer por atos do 8 de janeiro
Moraes vota por condenar 22 réus do 8/1, incluindo acusados com doenças graves, e sugere penas de até 16 anos.
Por ContraFatos 01/12/2025 Atualizado em 01/12/2025
Alexandre de Moraes em Sessão plenária do STF (25/6/2025) |Foto: Fellipe Sampaio/STF
Voto do ministro do STF atinge 22 acusados; penas de 14 anos se repetem em vários casos avaliados pela 1ª Turma
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou novo voto no julgamento de 22 acusados pelos atos de 8 de janeiro, impondo penas que chegam a 16 anos de prisão. Como o caso está sendo analisado apenas pela 1ª Turma, ainda falta a manifestação de Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino. A apreciação ocorre em plenário virtual e se encerra em 5 de dezembro.
Réus com problemas de saúde graves recebem pena de 14 anos
Entre os acusados analisados, um dos nomes é o de Silvio de Melo Rocha, advogado de 55 anos. Ele enfrenta um quadro grave de saúde, com câncer hematológico, insuficiência coronariana, fibrilação atrial e transtorno misto ansioso e depressivo. Moraes definiu para ele uma pena de 14 anos. Morador de Monte Azul (MG), Rocha permanece em tratamento contínuo e depende de autorização judicial para sair da cidade devido ao uso de tornozeleira eletrônica.
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Também recebeu voto pela condenação Jair Gonçalves da Silva, de 62 anos, para quem Moraes igualmente estipulou 14 anos de prisão. A defesa do aposentado já havia registrado preocupação com o estado emocional dele, apontando “risco de suicídio” e mencionando condições como trombose venosa profunda, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial. Hoje, Jair responde ao processo em regime domiciliar.
Outro réu que teve pena sugerida de 14 anos é João Cláudio Tozzi, técnico em eletrônica de 48 anos. Ele declarou ter entrado no Palácio do Planalto após ser atingido por spray de pimenta usado pela polícia e negou envolvimento em atos de depredação.
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O mesmo tempo de prisão foi votado para Basílio Batista, técnico de saneamento de 55 anos. Moraes havia liberado Basílio no início do processo, e o réu sustenta que não participou de agressões ou destruição.
A lista inclui ainda Idalércio Dirceu Barbetta, técnico agropecuário de 51 anos, que aparece em vídeo em frente ao STF e também recebeu indicação de pena de 14 anos; e Aline Leal Bastos Morais de Barros, advogada de 43 anos representada pela Defensoria Pública. Ela possui transtornos psiquiátricos graves, e Moraes definiu para a ré uma pena igualmente de 14 anos.
Policiais militares têm penas mais altas
Além dos civis, Moraes votou para condenar cinco policiais militares a 16 anos de prisão, mais 100 dias-multa, por falhas e omissões relacionadas aos ataques às sedes dos Três Poderes. Dois PMs foram absolvidos pelo ministro.
Policiais que receberam voto pela condenação:
Fábio Augusto Vieira — então comandante-geral da PMDF
Klepter Rosa Gonçalves — então subcomandante-geral da PMDF
Jorge Eduardo Barreto Naime — ex-chefe do Departamento de Operações
Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra — ex-subchefe do Departamento de Operações
Marcelo Casimiro Vasconcelos — ex-comandante do 1º Comando de Policiamento Regional