No depoimento prestado à Polícia Civil, porém, o motorista afirmou ter permanecido na Rua Joinville até por volta das 23h09, o que representa uma diferença de 43 minutos em relação ao horário de saída registrado pelas câmeras.
Motorista muda versão sobre contato com policiais
Outra contradição envolve o próprio relato do motorista. Na versão apresentada anteriormente, ele havia dito que desceu do carro para questionar os policiais sobre o suposto acompanhamento e que, nessa interação, teria recebido a ordem de ir embora.
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Entrar no grupo Agora, no depoimento formal à Polícia Civil, a versão mudou: o motorista afirma que o comando para deixar o local foi recebido de dentro do próprio veículo, sem que ele tenha saído.
O que o motorista relatou no depoimento
Segundo o depoimento, após deixar Haddad em casa na noite da última terça-feira (11), depois de um evento na Universidade de São Paulo (USP), o motorista seguiu para um hotel na Rua Joinville. Ele declarou ter escolhido o local por conta das câmeras de segurança instaladas na região e porque já havia percebido mais de uma aproximação de viaturas da PM.
Ainda conforme o relato, após estacionar por volta das 21h58, uma viatura teria se aproximado novamente algum tempo depois. Os policiais teriam parado alguns metros à frente e desembarcado. Três agentes teriam permanecido na calçada, e um deles teria ordenado que ele fosse embora.
O motorista também afirmou que, naquele momento, enviou mensagens pelo WhatsApp dizendo que estava se sentindo “monitorado”. Segundo ele, após permanecer no local, deixou a Rua Joinville somente por volta das 23h09, seguindo para casa, sem novo contato com viaturas.
SSP contesta relato e aponta ausência de abordagem
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) contesta a versão do motorista. De acordo com a pasta, a viatura que passou pelo carro não chegou a parar. A SSP informou que mais de 70 câmeras de segurança foram analisadas e que, até o momento, não foram identificados indícios de abordagem ou procedimento irregular por parte dos policiais.
Haddad aponta “inconsistência grave” na apuração
Haddad se manifestou nesta segunda-feira e afirmou considerar haver uma “inconsistência grave” na apuração do caso. O pré-candidato defendeu que as câmeras corretas sejam analisadas para verificar o que de fato aconteceu.
– Você pode investigar 100 câmeras, mil câmeras. Nós estamos levando para o delegado quais as câmeras estão no local, estão instaladas e poderiam comprovar a narrativa do motorista. Agora, se eu pegar uma câmera daqui, eu vou resolver que problema? Eu tenho que pegar a imagem certa. Porque aquela câmera não desmente que a viatura parou, você não vê o que acontece com a viatura depois – alega.
Tarcísio fala em possível falsa comunicação de crime
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou no domingo (16) que as imagens analisadas até então indicavam a possibilidade de uma falsa comunicação de crime.
– A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo, porque, se houvesse algum problema, algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente. Mas tudo está mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no fim das contas, de uma falsa comunicação – afirmou.
Segundo Tarcísio, a viatura que passou pelo hotel não teria parado nem abordado o motorista. O governador também revelou que o deslocamento dos veículos foi analisado por meio do sistema de GPS.
Caso a investigação conclua que houve falsa comunicação de crime, o motorista poderá responder pelo delito previsto no Código Penal, que estabelece pena de detenção de um a seis meses ou multa.