Condenação e crimes atribuídos
A ré, Mandy Wixon, mãe de dez filhos, foi considerada culpada por cárcere privado, por submeter a vítima a trabalho forçado e por agressão com resultado em lesões corporais reais. A sentença será anunciada em 12 de março.
Durante o julgamento, o juiz Ian Lawrie classificou o caso como tendo um “toque dickensiano”, em referência às condições degradantes descritas no processo.
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Entrar no grupo Após o veredicto, Wixon foi libertada sob fiança condicional até a data da sentença. Ao deixar o tribunal, negou as acusações.
Isolamento e desaparecimento da vida pública
Segundo informações apresentadas no tribunal, K nasceu em uma família com dificuldades e, por volta de 1996, aos 16 anos, passou a viver sob os cuidados de Wixon, que mantinha ligação distante com seus parentes. A partir desse período, ela deixou de ter contato com a sociedade.
O promotor Sam Jones afirmou ao júri: “No final da década de 1990, parece que a mulher desapareceu num buraco negro. Nenhum encontro que tenha deixado registro ou um único avistamento dela fora de casa.”
De acordo com a acusação relatada pela BBC, a vítima era impedida de sair da residência, recebia alimentação restrita e era obrigada a realizar tarefas domésticas em uma casa descrita como imunda e superlotada. Em determinados períodos, pelo menos 13 pessoas moravam no imóvel.
Relatos de agressões e condições degradantes
Testemunhos indicaram que K era frequentemente agredida, inclusive com um cabo de vassoura, o que teria provocado a perda de dentes. Produtos de limpeza teriam sido jogados em seu rosto e até em sua garganta.
Avaliações médicas apontaram quadro de desnutrição. Um dentista relatou que a vítima conviveu por anos com infecções e abscessos não tratados.
Quando a polícia entrou na residência, em 2021, encontrou a mulher em um quarto comparado a uma cela. Ela apresentava cicatrizes nos lábios e no rosto, além de calos nos pés e tornozelos, atribuídos a longos períodos ajoelhada para esfregar o chão.
No momento do resgate, disse aos policiais: “Eu não quero estar aqui. Não me sinto segura. Mandy me bate o tempo todo. Eu não gosto disso.”
Denúncia partiu de um dos filhos da ré
As investigações tiveram início após um dos filhos de Wixon procurar as autoridades e manifestar preocupação com o estado da mulher. A polícia de Gloucestershire confirmou que K estava visivelmente assustada quando foi retirada da casa.
Desde então, ela passou a viver com uma família de acolhimento. Segundo a BBC, atualmente frequenta a faculdade e já realizou viagem ao exterior.
A promotora sênior Laura Burgess, do Crown Prosecution Service, afirmou que o progresso da vítima após sair do ambiente descrito no processo demonstra sua capacidade de reconstruir a própria vida.