Fotos e vídeos também foram encaminhados à família com o objetivo de convencê-los de que ela estava sendo mantida em cativeiro. Os parentes chegaram a receber mensagens dizendo que ela poderia ser morta ou agredida caso o dinheiro não fosse entregue.
Dívidas com terceiros motivaram o crime
De acordo com o delegado Murilo Ribeiro, titular da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS), a mulher confessou que precisava do dinheiro para quitar dívidas com terceiros, inicialmente apontados como agiotas. Toda a trama foi armada com esse objetivo.
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Entrar no grupo Câmeras de segurança e contradições desmontaram a farsa
A Polícia Civil, com apoio do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), realizou diligências em pelo menos três municípios e identificou contradições graves no relato apresentado. Imagens de câmeras de segurança mostraram a suspeita fazendo compras em estabelecimentos comerciais no mesmo período em que afirmava estar sequestrada.
A investigação revelou ainda que ela esteve em Conselheiro Lafaiete, na região Central de Minas Gerais, onde indicou uma conta bancária para receber o valor do suposto resgate.
Pessoas inocentes tiveram dados bancários usados na fraude
Na tentativa de apresentar contas bancárias que parecessem pertencer aos supostos criminosos, a mulher enganou outras pessoas. Em uma das situações, segundo a polícia, ela contratou um motorista de aplicativo, inventou uma história e conseguiu os dados de Pix dele.
Em outro episódio, abordou uma comerciante e obteve informações bancárias que depois foram utilizadas na tentativa de receber o dinheiro. Essas pessoas tiveram seus dados usados sem ter qualquer conhecimento de que participavam de uma fraude, conforme apurou a investigação.
Abordagem policial no hotel encerrou a farsa
Quando os policiais chegaram ao hotel na região central de Belo Horizonte, a mulher ainda estava em contato com os familiares tentando obter o pagamento. Durante a abordagem, os agentes perguntaram se ela estava sequestrada e se havia outra pessoa no local. Ela respondeu que não.
Questionada sobre quem enviava as mensagens ameaçadoras à família, admitiu que era ela própria. Até o momento, a Polícia Civil acredita que ela agiu sozinha e não identificou comparsas envolvidos na encenação.
Filho de 1 ano ficou dois dias sem a mãe que ainda o amamentava
Um aspecto que chamou a atenção dos investigadores é a situação do filho da suspeita. A criança, de aproximadamente 1 ano e ainda em fase de amamentação, permaneceu sob os cuidados do pai durante os dois dias em que a mulher sustentou a versão falsa do sequestro.
Segundo o delegado Murilo Ribeiro, o menino ficou sem a mãe durante todo o período em que ela dizia estar em poder de criminosos. Após a prisão, a Polícia Civil autorizou que a criança fosse levada à delegacia para receber os cuidados da mãe antes de ela ser encaminhada ao sistema prisional.
Próximos passos da investigação
O caso teve início no domingo (23), quando o marido e as irmãs da mulher procuraram a polícia após receberem mensagens de socorro. A suspeita foi presa em flagrante por extorsão e encaminhada ao presídio de Ribeirão das Neves.
A investigação segue em andamento. Segundo a Polícia Civil, outros crimes podem ser analisados a partir das circunstâncias do caso, incluindo falsa comunicação de crime e outras condutas relacionadas ao acionamento indevido da polícia.