Mulher que foi barriga de aluguel se recusa a abortar e é processada por pais biológicos
Enfermeira contratada como barriga de aluguel nos EUA recusou pedido de aborto após diagnóstico de cardiopatia e agora enfrenta processo milionário dos pais biológicos
Por ContraFatos 26/08/2026 Atualizado em 26/08/2026
Parecia que a família se preparava para receber o bebê tão esperado. No entanto, durante a gestação, um diagnósticomudou completamente o rumo da história.
Diagnóstico de malformação cardíaca durante a gestação desencadeou conflito entre a barriga de aluguel e o casal que contratou o serviço
Um bebê nascido em 12 de agosto no Texas está no centro de uma disputa judicial que envolve questões éticas, contratuais e de direito à vida. A enfermeira McKenna West, do Alasca, foi contratada como barriga de aluguel pelo casal californiano Nausheen Gilkar e Omar Ahmed. Quando exames na 20ª semana de gravidez revelaram uma grave cardiopatia congênita no feto, os pais biológicos pediram a interrupção da gestação — mas West se recusou.
Oito tentativas frustradas e uma histerectomia
Nausheen Gilkar e Omar Ahmed enfrentaram uma longa trajetória para ter um filho. Após oito tentativas frustradas de fertilização in vitro e uma histerectomia, o casal decidiu recorrer à gestação de substituição. McKenna West, enfermeira especializada em cardiologia, aceitou a função.
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A gravidez transcorreu sem intercorrências até que, na 20ª semana, foi diagnosticada a síndrome da hipoplasia do ventrículo esquerdo — uma malformação cardíaca grave que pode ser letal, mas para a qual existem opções de tratamento cirúrgico logo após o nascimento.
A cláusula contratual e a decisão da enfermeira
O contrato firmado entre as partes continha uma cláusula que permitia aos pais solicitar o aborto caso fossem detectadas “anomalias fetais”. West alega ter questionado esse dispositivo antes de assinar o documento, mas teria recebido da agência responsável a informação de que essa cláusula não seria alterada.
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“Eu sabia que não queria passar por um aborto. Eu não queria que a vida desse bebê fosse interrompida precocemente“, declarou a enfermeira.
Sua formação em cardiologia pesou na decisão. “Como enfermeira de cardiologia, eu sabia que essa criancinha tinha grandes chances de sobreviver se recebesse o tratamento necessário.”
Transferência para o Texas e nascimento de Gabriel
Determinada a levar a gestação adiante, West se mudou para o Texas, onde o Hospital Infantil de Dallas possui histórico de sucesso em cirurgias para esse tipo de cardiopatia. Segundo ela, após sua decisão de não interromper a gravidez, o casal deixou de arcar com as despesas relacionadas à gestação.
O menino nasceu em 12 de agosto. West o batizou de Gabriel; os pais biológicos o chamam de Rumi. Logo após o parto, o recém-nascido foi submetido à cirurgia de Norwood, procedimento específico para casos de hipoplasia do ventrículo esquerdo.
A enfermeira relatou que pôde ficar com o bebê por apenas cerca de um minuto antes que o casal assumisse a custódia física da criança.
Disputa judicial no Texas
O caso rapidamente chegou à Justiça. O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, conseguiu uma ordem judicial que impede a retirada do bebê do estado e determina que os hospitais forneçam os cuidados médicos considerados essenciais para a sobrevivência da criança.
Informações apresentadas em audiência indicam que o bebê permanece em estado crítico e deve ficar internado na UTI por pelo menos mais um mês.
Enquanto isso, West enfrenta restrições judiciais que a impedem de manter qualquer contato com a criança enquanto a disputa sobre direitos parentais segue em andamento. Ela tenta obter a guarda e afirma não buscar criar o menino, mas sim garantir que ele receba o tratamento médico necessário.
“Só estou pedindo que eles se comprometam a fornecer o tratamento vital de que ele precisa.”
“Eu sabia que ele merecia ser protegido e que merecia uma chance.”
Pais biológicos pedem indenização milionária
Além da batalha pela guarda, Nausheen Gilkar e Omar Ahmed moveram uma ação contra McKenna West por quebra do contrato de barriga de aluguel. O argumento é que a enfermeira descumpriu a cláusula que previa a interrupção da gestação diante de anomalias fetais.
Inicialmente, a indenização pedida superava R$ 500 mil. O valor foi ampliado em uma ação de aproximadamente R$ 1 milhão, englobando devolução de pagamentos realizados e outras indenizações.
Em artigo de opinião, West reforçou sua posição: “Nenhuma mulher deveria ser forçada a matar o bebê em seu ventre. Mais importante ainda, toda criança merece uma chance de viver.”
Debate que vai além do contrato
O aborto é um dos temas mais sensíveis debatidos globalmente. O caso de McKenna West reacende a discussão ao colocar em confronto direto a autonomia contratual dos pais biológicos e a convicção da gestante sobre o direito à vida da criança que carregava.
Parecia que a família se preparava para receber o bebê tão esperado. No entanto, durante a gestação, um diagnósticomudou completamente o rumo da história.