Custos recordes, pressão sobre volumes e estratégia para preservar crescimento em 2025
A operação brasileira da Nestlé Brasil, uma das maiores do grupo no mundo, atravessa um período considerado atípico até mesmo para padrões históricos da indústria de alimentos. A escalada inflacionária, puxada sobretudo pelas commodities agrícolas, transformou 2025 em um teste de equilíbrio: avançar em faturamento sem sacrificar volumes, condição essencial para manter eficiência industrial e competitividade no varejo.
Mesmo após registrar crescimento de dois dígitos em receita no último ano, a companhia sentiu o impacto direto do aumento dos custos de produção. O repasse de preços ao consumidor, ainda que gradual, acabou reduzindo o volume vendido — um sinal de alerta para um setor altamente dependente de escala para sustentar margens e rentabilidade.
Segundo Marcelo Melchior, presidente da Nestlé Brasil, a queda de volume provoca um efeito dominó difícil de contornar. Menos vendas significam fábricas operando abaixo do ideal, elevação do custo por unidade e perda de competitividade em um ambiente já pressionado por inflação persistente.
Inflação de commodities pressiona consumo
O choque de custos começa na origem. Aproximadamente 70% do cacau utilizado pela companhia no Brasil é produzido no próprio país; o restante vem da África Ocidental. A combinação de problemas climáticos, restrições estruturais e alta global do insumo elevou os preços a patamares inéditos, com reflexos imediatos no consumo doméstico.
O café segue trajetória semelhante. Secas prolongadas e temperaturas acima da média reduziram a oferta, impulsionando os preços de uma das categorias mais presentes no dia a dia do brasileiro. O impacto é sentido tanto na indústria quanto no orçamento das famílias.
Inflação e risco nas categorias populares
Os produtos de menor tíquete médio concentram parte relevante da preocupação. Itens como achocolatados, biscoitos e leite condensado, geralmente vendidos entre R$ 5 e R$ 15, estão entre os mais sensíveis às variações de preço. Em um cenário de inflação de alimentos, cada decisão de compra se torna mais criteriosa.
“Nossos produtos estão em praticamente todos os lares. Se falharmos em preço ou disponibilidade, o consumidor troca rapidamente”, afirma o executivo, ao destacar a agilidade do público em migrar para alternativas mais baratas quando percebe desequilíbrio entre valor e custo.
Brasil segue estratégico apesar da pressão inflacionária
Com mais de cem anos de presença no país, o Brasil ocupa hoje a posição de terceira maior operação global da Nestlé. Mesmo diante de juros elevados, inflação resistente e consumo cauteloso, o mercado interno continua sendo o pilar central da estratégia, respondendo por mais de 90% do faturamento local.
Para 2025, a expectativa da companhia é manter crescimento de dois dígitos no Brasil. O desafio, segundo Melchior, será conciliar planejamento, inovação e eficiência operacional em um contexto de matérias-primas caras e pressão constante sobre custos — um cenário que exige respostas rápidas e decisões precisas.
eu quero e que a nestle, quebre!!!! covardes, maltratam e torturam animais