Segundo Marcelo Melchior, presidente da Nestlé Brasil, a queda de volume provoca um efeito dominó difícil de contornar. Menos vendas significam fábricas operando abaixo do ideal, elevação do custo por unidade e perda de competitividade em um ambiente já pressionado por inflação persistente.
Inflação de commodities pressiona consumo
O choque de custos começa na origem. Aproximadamente 70% do cacau utilizado pela companhia no Brasil é produzido no próprio país; o restante vem da África Ocidental. A combinação de problemas climáticos, restrições estruturais e alta global do insumo elevou os preços a patamares inéditos, com reflexos imediatos no consumo doméstico.
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Entrar no grupo O café segue trajetória semelhante. Secas prolongadas e temperaturas acima da média reduziram a oferta, impulsionando os preços de uma das categorias mais presentes no dia a dia do brasileiro. O impacto é sentido tanto na indústria quanto no orçamento das famílias.
Inflação e risco nas categorias populares
Os produtos de menor tíquete médio concentram parte relevante da preocupação. Itens como achocolatados, biscoitos e leite condensado, geralmente vendidos entre R$ 5 e R$ 15, estão entre os mais sensíveis às variações de preço. Em um cenário de inflação de alimentos, cada decisão de compra se torna mais criteriosa.
“Nossos produtos estão em praticamente todos os lares. Se falharmos em preço ou disponibilidade, o consumidor troca rapidamente”, afirma o executivo, ao destacar a agilidade do público em migrar para alternativas mais baratas quando percebe desequilíbrio entre valor e custo.
Brasil segue estratégico apesar da pressão inflacionária
Com mais de cem anos de presença no país, o Brasil ocupa hoje a posição de terceira maior operação global da Nestlé. Mesmo diante de juros elevados, inflação resistente e consumo cauteloso, o mercado interno continua sendo o pilar central da estratégia, respondendo por mais de 90% do faturamento local.
Para 2025, a expectativa da companhia é manter crescimento de dois dígitos no Brasil. O desafio, segundo Melchior, será conciliar planejamento, inovação e eficiência operacional em um contexto de matérias-primas caras e pressão constante sobre custos — um cenário que exige respostas rápidas e decisões precisas.