Nuvem em formato de onda gigante assusta banhistas no litoral paulista — mas o que era isso?
Formação atmosférica impressionante causa susto entre frequentadores das praias de Bertioga, sendo explicada por especialistas como fenômeno natural comum.
Por ContraFatos 03/05/2026 Atualizado em 03/05/2026
Formação atmosférica impressionante mobiliza banhistas no litoral
Frequentadores das praias de Bertioga, no litoral paulista, vivenciaram momentos de apreensão durante a tarde do último sábado (2), quando uma impressionante nuvem prateleira surgiu no horizonte marítimo. O fenômeno meteorológico, que lembrava visualmente uma onda gigantesca se aproximando da costa, gerou susto entre os presentes.
Nas redes sociais, a página @aconteceuembertioga classificou a formação como “intensa e diferente”, relatando que “a formação avançou rapidamente sobre o mar, acompanhada de ventos fortes e mudança no tempo, surpreendendo quem estava na água e na areia”.
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Entre os comentários de internautas que presenciaram ou viram as imagens, destacou-se a comparação com “cena de filme”, demonstrando o impacto visual causado pela nuvem.
Especialistas esclarecem origem do fenômeno
Guilherme Alves, meteorologista da FieldPro, tranquilizou a população explicando que se trata de um evento natural relativamente comum no território brasileiro. “É [uma nuvem] bastante comum no Brasil e, geralmente, ela se forma em deslocamentos de frentes frias”, esclareceu o profissional.
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O especialista destacou as características distintivas deste tipo de formação: “são nuvens marcadas por ter uma parte mais alongada entre a base e o topo, o que a torna bastante característica”. Alves ainda fez questão de diferenciar este fenômeno de outras formações similares, afirmando que “difere um pouco da [nuvem] rolo, que está associada a outros eventos meteorológicos (como mudanças de direção dos ventos)”.
Condições atmosféricas favoreceram a formação
A meteorologista Heloisa Pereira Nóbrega forneceu detalhes técnicos sobre as condições que propiciaram o surgimento da nuvem prateleira especificamente em Bertioga. Segundo sua análise, “os dados disponíveis até o momento indicam que o fenômeno foi causada pela passagem de uma frente fria pela costa paulista, que agora está estacionada na altura do Rio de Janeiro”.
O processo de formação envolveu uma sequência específica de eventos atmosféricos. “Após a sua passagem, uma área de alta pressão fez com que os ventos continuassem soprando do mar para o continente, trazendo muito ar úmido”, detalhou Nóbrega.
A interação entre diferentes massas de ar criou o cenário ideal para a formação. “Ao encontrar um ambiente um pouco mais frio deixado pela frente fria, esse ar manteve o tempo instável, com muitas nuvens e pancadas de chuva no litoral paulista”, explicou a meteorologista.
Mecânica da formação das shelf clouds
Nóbrega explicou o mecanismo técnico por trás das nuvens prateleira (shelf cloud, em inglês): “está associado ao avanço de ar mais frio em baixos níveis da atmosfera, o que empurra o ar quente e úmido à frente para cima rapidamente”.
Este movimento atmosférico vertical resulta na característica visual marcante: “esse movimento forma uma nuvem longa, baixa e com aparência de ‘prateleira’ no céu”.
No caso específico do sábado em Bertioga, as condições foram especialmente favoráveis. “Como havia bastante umidade vindo do mar, essa nuvem ficou mais intensa e bem definida na região”, concluiu a especialista.
Impacto visual nas praias paulistas
O fenômeno foi registrado especialmente na região da Riviera de São Lourenço, onde banhistas interromperam suas atividades para observar e registrar a formação impressionante que se aproximava do continente.
As condições meteorológicas do sábado (2) em Bertioga registraram temperatura mínima de 22°C e máxima de 29°C, com períodos de céu nublado e pancadas de chuva durante a noite, conforme informações da Climatempo.