O governo do ‘amor’ entrega 44,5% mais mortes violentas no Brasil do que as guerras de Gaza e Ucrânia somadas
Brasil registrou mais de 40 mil mortes violentas em 2025, superando em 44,5% o total de vítimas civis nas guerras de Gaza e Ucrânia combinadas
Por ContraFatos 15/08/2026 Atualizado em 15/08/2026
Rebelião promovida pelo PCC | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Enquanto Lula prega afeto e diálogo, país contabiliza mais de 40 mil vidas perdidas para a violência em um único ano
Num país governado sob o slogan do “amor” e da fraternidade, os números da violência contam uma história bem diferente da narrativa oficial. O Brasil registrou mais de 40 mil mortes violentas intencionais (MVI) ao longo de 2025, conforme apuração do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A cifra é 44,5% superior à soma de vítimas civis nos conflitos armados da Faixa de Gaza e da Ucrânia no mesmo período.
Duas guerras juntas matam menos do que a rotina brasileira
Os dois maiores conflitos armados do momento, somados, produziram pouco mais de 28 mil vítimas em 2025. Na Faixa de Gaza, o Ministério da Saúde local — citado em relatório das Nações Unidas — contabilizou 25,7 mil mortes durante o ano. Já na Ucrânia, a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU verificou 2,5 mil civis mortos em decorrência da violência relacionada ao conflito.
Leitura
A diferença bruta entre o total brasileiro e a soma das baixas nos dois cenários de guerra chegou a 12,5 mil mortes. Para traduzir em proporção: a cada cem mortes registradas nas guerras de Gaza e da Ucrânia, o Brasil produziu aproximadamente 145 mortes violentas. Uma aritmética macabra para um governo que se diz movido pelo sentimento mais nobre da humanidade.
O que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública considera
O levantamento do FBSP utiliza o conceito de mortes violentas intencionais (MVI), categoria que engloba homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e óbitos decorrentes de intervenções policiais, entre outros registros definidos pela metodologia do anuário.
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Taxa histórica em queda — mas insuficiente diante do horror
É verdade que 2025 marcou a menor taxa de MVI desde o início da série histórica do FBSP, iniciada em 2012. Foram 19,1 mortes por cem mil habitantes, uma queda de 8,2% em relação a 2024. O governo do “amor” certamente celebrará esse recuo percentual. Porém, convém lembrar: mesmo com a redução, o total absoluto de mortes violentas no Brasil permaneceu superior ao saldo de dois conflitos armados internacionais combinados.
Enquanto o Planalto distribui abraços simbólicos e discursos sobre paz, mais de 40 mil famílias brasileiras enterraram seus mortos em 2025 — vítimas não de bombas ou mísseis, mas da violência cotidiana de um país que, na prática, vive uma guerra não declarada. O contraste entre o discurso afetuoso e a realidade sangrenta nunca foi tão gritante.