O presidente do PSD foi além e tentou interpretar a estratégia do PT. Segundo ele, a ausência de ataques mais agressivos da legenda governista ao senador fluminense teria motivação puramente eleitoral. “O PT não tem atacado essa candidatura, pois está claro que é a mais fácil de ser batida no segundo turno”, observou. “Lula quer Flávio Bolsonaro, pois é vitória certa do PT.”
Nota de esclarecimento reforça posição, sem recuo
Diante da repercussão negativa, Kassab divulgou nota na qual defendeu a decisão do PSD de lançar candidatura própria à Presidência. O tom, porém, seguiu a mesma linha de ataque. “O PSD acertou em ter Ronaldo Caiado, adversário histórico do PT, como nosso candidato”, afirmou. “A neutralidade dos partidos do chamado centrão, que diziam que apoiariam Flávio, mostrou que diversas lideranças desses partidos estão hoje com Lula.”
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Entrar no grupo A avaliação de Kassab busca justificar a candidatura avulsa de Caiado com um diagnóstico sobre a fragilidade da aliança em torno de Flávio. Progressistas (PP), União Brasil e Republicanos, de fato, não aderiram formalmente à candidatura do PL. A falta de adesão dessas siglas limita a formação de uma coalizão nacional mais robusta ao redor do senador.
Pesquisa mostra cenário diferente do que Kassab pinta
Curiosamente, os números mais recentes não sustentam com tanta facilidade a narrativa de Kassab. Um levantamento do PoderData/Aya, divulgado na quinta-feira, mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno: o presidente registra 46% das intenções de voto, ante 45% do senador. A pesquisa ouviu eleitores entre 9 e 12 de agosto.
Mesmo assim, Kassab sustenta que Caiado seria o único capaz de vencer Lula. “Ele é o único nome da oposição capaz de ganhar a eleição e, mais do que isso, trazer para o Brasil o alento de um futuro de mudanças, reformas e prosperidade para todos”, afirmou — numa retórica que seus críticos consideram mais voltada ao marketing interno do PSD do que à realidade eleitoral.
Campanha de Flávio reage com dureza
As declarações de Kassab provocaram uma troca de acusações entre integrantes das campanhas do PSD e do PL. Nesta sexta-feira, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, reagiu e acusou o partido de Kassab de trabalhar para favorecer a reeleição de Lula.
Marinho trouxe à tona a relação do PSD com o governo petista. A legenda de Kassab recebeu nada menos que três ministérios no início da gestão Lula: Minas e Energia, com Alexandre Silveira; Agricultura e Pecuária, com Carlos Fávaro; e Pesca e Aquicultura, então comandado por André de Paula — este último deixou o cargo em março de 2026.
Com base nessa proximidade com o Planalto, o coordenador de campanha de Flávio classificou o PSD como “linha auxiliar” do PT. Marinho também acusou a candidatura de Caiado de ter como objetivo real o enfraquecimento de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, e não uma disputa genuína pela Presidência.
O episódio expõe as contradições de Kassab, um político historicamente ligado ao fisiologismo e à busca por espaço em governos de diferentes matizes ideológicas. Ao atacar Flávio enquanto mantém vínculos com o governo Lula por meio de ministérios, o presidente do PSD reforça a percepção de que sua movimentação tem mais a ver com cálculo de poder do que com convicção política.