Os números são cristalinos: a União espera arrancar do pagador de impostos R$ 6,34 trilhões, enquanto planeja gastar R$ 6,36 trilhões. A diferença — R$ 22,6 bilhões — representa 0,3% de todo o orçamento atualizado de receitas. Parece pouco em termos percentuais. Em dinheiro real, é uma montanha de recursos que simplesmente não existem e que alguém, em algum momento, vai precisar cobrir.
E é aí que a história complica.
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Entrar no grupo Até agora, segundo os dados oficiais, o governo já tomou R$ 3,12 trilhões do contribuinte e gastou R$ 3,1 trilhões. A conta, por enquanto, fecha por um fio. Mas a tendência é inequívoca: o ritmo de despesa supera o de arrecadação, e o rombo já está contratado.
O levantamento do Gasto Brasil, da Associação Comercial de São Paulo, oferece uma radiografia ainda mais brutal: os gastos públicos já atingiram R$ 3 trilhões, contra uma arrecadação de R$ 2,2 trilhões. A diferença não é um detalhe contábil — é um abismo fiscal que cresce a cada mês de gestão petista.
A pergunta que ninguém faz é simples: se o governo sabe que vai gastar mais do que tem, por que não corta despesas?
A resposta, infelizmente, também é simples. Porque cortar gastos exige renunciar a poder. E este governo não renunciou a nada desde que assumiu. Cada novo programa, cada nova rubrica, cada emenda negociada é uma expansão do aparato estatal — e uma conta repassada ao contribuinte, que já foi espremido até o limite da capacidade tributária.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, herda o desafio de apresentar números sustentáveis. Mas nenhum ministro da Fazenda, por mais competente que seja, consegue equilibrar um orçamento quando a ordem política é gastar sem freio.
Não é coincidência que a irresponsabilidade fiscal caminhe lado a lado com a expansão do Estado. São faces da mesma moeda. Um governo que acredita ser a solução para todos os problemas inevitavelmente gasta mais do que pode — porque nenhum cofre público é grande o suficiente para financiar a onipotência estatal.
O rombo de R$ 22,6 bilhões não é um acidente de percurso. É uma decisão política. É a escolha deliberada de gastar o dinheiro que não se tem, sabendo que a conta será paga com mais dívida, mais inflação ou mais impostos — provavelmente os três ao mesmo tempo.
No fim, a aritmética é implacável. O governo pode esconder a realidade atrás de siglas, portarias e manobras contábeis. Mas não pode revogar a matemática. E a matemática diz, com a clareza que só os números têm, que este governo gasta mais do que o Brasil pode pagar.
Quando o próprio autor do rombo admite o rombo, o debate não é mais sobre se há problema fiscal. É sobre quem vai pagar — e a resposta, como sempre, é você.