Vinte milhões de reais.
Para um ex-sindicalista que, segundo relatos, chegou à Bahia “com a mão na frente e outra atrás”.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Mas há um detalhe.
O imóvel de R$ 2,5 milhões que teria sido negociado como propina para o senador — sim, aquele sobre o qual pairam suspeitas graves — vale dez vezes menos do que o apartamento onde ele já mora. Ou seja: o suposto suborno seria, nos padrões de vida do petista, pouco mais que uma gorjeta imobiliária.
Wagner alegou que o apartamento de R$ 2,5 milhões, com 203 metros quadrados, seria destinado à sua filha. Praticamente uma quitinete, considerando o patamar de luxo em que o senador habita.
E é aí que a história complica.
Como um homem que construiu toda a sua carreira no sindicalismo e na política — e somente nisso — acumulou patrimônio capaz de sustentar um estilo de vida que a esmagadora maioria dos empresários brasileiros jamais alcançará? Qual empresa ele fundou? Qual negócio ele tocou? Qual risco ele correu com dinheiro próprio?
A resposta é simples: nenhum. O patrimônio veio do poder. Do Estado. Do mesmo aparato que, segundo a cartilha do PT, deveria servir aos mais humildes.
Wagner gosta de dizer que a Bahia “tem muro baixo”. Ironia das ironias: a Mansão Victory Tower, seu endereço, é protegida por muros altíssimos. Muros que separam, com eficiência brutal, o mundo do discurso do mundo da prática.
A informação sobre o estilo de vida do senador foi publicada pela Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.
Não é a primeira vez que um líder da esquerda brasileira prega igualdade de cima de uma torre de luxo. Mas poucas vezes o contraste foi tão escancarado. Píer privativo. Teleférico. Vista para a baía. Tudo isso para quem diz lutar pelo povo.
A pergunta que ninguém faz é simples: se o Estado é tão bom para o povo quanto o PT promete, por que seus líderes preferem viver exatamente como a burguesia que dizem combater?
Talvez porque, no fundo, eles sempre souberam o que funciona. Só não querem que os outros tenham acesso.