Não é coincidência.
Vander Loubet, deputado federal pelo PT — sim, pelo PT — fez exatamente a mesma coisa em Mato Grosso do Sul. O petista que quer ser senador decidiu que o vermelho do próprio partido é um passivo eleitoral. E agiu de acordo.
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Dois candidatos que devem suas candidaturas diretamente ao presidente Lula calcularam que associar suas imagens ao presidente e à esquerda afasta mais votos do que atrai. Não se trata de uma dissidência ideológica. Não houve rompimento. Não há divergência programática. Trata-se de puro pragmatismo eleitoral: o vermelho virou veneno nas urnas, e eles sabem disso.
A estratégia é tão evidente que beira o cômico. Tebet, que ocupou ministério de Lula, que foi apresentada como peça central do palanque governista, agora quer parecer qualquer coisa — menos lulista. Loubet, filiado ao PT há décadas, aparentemente concluiu que a sigla que carrega no registro eleitoral é melhor mantida em letras miúdas.
Mas há um detalhe que ninguém quer discutir abertamente.
Se o vermelho é um ativo, por que escondê-lo? Se o governo Lula é popular, se a esquerda está forte, se a narrativa oficial de aprovação se sustenta — por que diabos seus candidatos mais estratégicos estão pintando suas campanhas de azul?
A resposta é incômoda para o Planalto. Em um cenário de polarização crescente com a direita de Flávio Bolsonaro, a base lulista percebeu que existe um eleitorado moderado que rejeita a esquerda. E para pescar nesses águas, é preciso esconder a isca vermelha.
O problema é que essa manobra tem um nome: vergonha eleitoral. É o reconhecimento tácito de que a marca Lula, em determinados contextos, é um fardo. É o cálculo frio de que o eleitor que decide eleições — aquele do centro, aquele que não tem bandeira partidária na janela — não quer saber de vermelho.
E é aí que a história complica para Lula.
Porque se seus próprios afilhados políticos precisam se camuflar para disputar votos, o que isso diz sobre as chances de reeleição do padrinho? Se Tebet e Loubet concluíram que o eleitor médio precisa ser enganado sobre a origem ideológica de suas candidaturas, o que exatamente estão vendendo?
A pergunta que ninguém faz é simples: até quando dá para ser candidato de Lula fingindo que não é?
O eleitor pode não entender de teoria das cores. Mas entende perfeitamente quando alguém está tentando esconder quem realmente é. E campanhas que começam pela dissimulação costumam terminar pela desconfiança.
O azul pode até ganhar votos. Mas a conta do vermelho escondido sempre chega.