Esses objetos, cuja origem ainda é desconhecida, já foram anteriormente atribuídos a asteroides, falhas fotográficas ou Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs) — termo oficial usado hoje no lugar de “ovnis”.
Correlação com testes atômicos
Os cientistas compararam as datas dos transientes com registros de 124 testes nucleares atmosféricos realizados entre 1951 e 1957 por Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido, além de cruzarem os dados com bancos internacionais de relatos de UAPs.
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Entrar no grupo Os resultados mostraram que os objetos luminosos tinham 45% mais probabilidade de aparecer até um dia após um teste nuclear. A análise também revelou que, a cada novo avistamento de UAP relatado, o número de transientes registrados aumentava 8,5%.
Segundo os autores, avistamentos de ovnis também se tornavam ligeiramente mais comuns nos períodos em que testes atômicos eram realizados. Essa correlação — a primeira do tipo comprovada estatisticamente — sugere uma possível relação entre atividade nuclear e fenômenos aéreos não identificados.
Hipóteses levantadas
Embora o estudo não defina a verdadeira natureza dos transientes, os pesquisadores acreditam que a relação com testes nucleares descarta explicações simples, como erros técnicos ou danos nas chapas fotográficas.
Uma das hipóteses aponta que as explosões atômicas possam ter provocado efeitos atmosféricos ou luminosos inéditos, capazes de gerar breves flashes detectados pelas câmeras do observatório.
Outra possibilidade — considerada mais especulativa — é que os transientes sejam objetos metálicos refletindo luz solar, talvez UAPs orbitando a Terra durante o período de testes.
Os cientistas observaram ainda que os fenômenos eram mais frequentes cerca de um dia após as detonações nucleares, o que enfraquece a hipótese de que se tratassem apenas de detritos ou partículas lançadas pelas explosões.
Incertezas e próximos passos
Os autores reconhecem que há associações pequenas, mas estatisticamente significativas, entre os transientes, os testes nucleares e os relatos de UAPs. “Os resultados fornecem suporte empírico adicional para a validade do fenômeno UAP e sua possível conexão com a atividade nuclear”, diz o estudo.
Mesmo assim, os pesquisadores ressaltam que as causas exatas permanecem incertas. A equipe pretende usar técnicas de inteligência artificial para aprimorar a identificação de padrões e reduzir possíveis erros em registros fotográficos antigos.
“Nossas descobertas contribuem com dados que vão além dos relatos de testemunhas oculares e abrem caminho para novas investigações sobre fenômenos anômalos observados antes da era dos satélites”, afirmam os cientistas.
O grupo VASCO (Vanishing & Appearing Sources during a Century of Observations) reúne pesquisadores internacionais que estudam objetos que surgem e desaparecem nos registros astronômicos ao longo do tempo, buscando compreender eventos celestes raros e inexplicados.