Blindados Blindados

Governo do Rio pediu blindados à Defesa antes de operação com 64 mortos; União exigiu decreto de GLO

Cláudio Castro afirma que fez três solicitações e nunca foi atendido; Ministério da Defesa condicionou apoio à GLO

O de Janeiro enviou ao Ministério da Defesa, em janeiro de 2025, um pedido formal de apoio logístico das Forças Armadas para o uso de veículos blindados em operações policiais em áreas de risco. O documento, obtido pelo Metrópoles, foi assinado pelo governador Cláudio Castro (PL) no dia 29 de janeiro e solicitava ajuda da Marinha do com blindados, operadores e mecânicos.

A solicitação voltou a ser discutida após a operação policial mais letal da história do Rio, que deixou pelo menos 64 mortos. Em coletiva de imprensa, Castro afirmou que três pedidos anteriores de apoio militar foram negados pela União.

“Não foi pedida [ajuda das Forças Armadas] desta vez, porque nós já tivemos três negativas. Então, entendemos que é a política de não ceder. Falaram que tem que ter GLO [Garantia da Lei e da Ordem], que tem que ter isso, ter aquilo. Que podia emprestar o blindado, depois não poderia mais, porque o servidor que opera o blindado é servidor federal, então tinha que ter GLO e o presidente já falou que é contra GLO”, disse o governador.

Material obtido pelo Metrópoles

Pedido incluía uso de blindados da Marinha

No ofício, Castro argumenta que o apoio logístico da Marinha seria essencial para ações policiais em áreas conflagradas, e que os veículos solicitados poderiam ficar baseados na Cidade da Polícia (Cidpol) durante as operações.

À época, o então secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, informou que as forças de segurança do estado estavam prontas para atuar assim que a solicitação fosse atendida.

“Os veículos solicitados, nos dias das ações, poderão ficar baseados na Cidade da Polícia, para serem utilizados à medida que se fizerem necessários”, afirmou o secretário.

Defesa condicionou uso à autorização presidencial

Em nota, o Ministério da Defesa confirmou o recebimento do pedido e explicou que o caso foi encaminhado à Advocacia-Geral da União (AGU). Segundo o parecer jurídico, a solicitação só poderia ser atendida no contexto de uma Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que exigiria decreto presidencial.

O ministério também mencionou que o ofício do fluminense estava relacionado a um episódio de dezembro de 2024, quando uma oficial da Marinha foi atingida por um disparo no Hospital Naval Marcílio Dias. Na ocasião, a Marinha posicionou blindados nas proximidades da unidade, dentro do limite legal de 1.400 metros em torno de instalações militares, “como medida de segurança”.

Ministério da diz que Força Nacional segue atuando no Rio

Já o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) afirmou que atua no Rio de Janeiro desde outubro de 2023 com o apoio da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), cuja operação foi prorrogada até 16 de dezembro de 2025, podendo ser renovada.

“O Ministério da Justiça e Segurança Pública tem atendido, prontamente, a todos os pedidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro para o emprego da Força Nacional”, informou a pasta.

Segundo o MJSP, entre 2024 e outubro de 2025, a Força Nacional cumpriu 855 mandados de em território fluminense. Desde o início da cooperação, o ministério acolheu 11 pedidos de renovação feitos pelo governo estadual.

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