OMS vê cenário alarmante para o câncer nas próximas décadas e aponta fator decisivo
OMS projeta que casos de câncer podem dobrar até 2050 e pede ações urgentes contra desigualdade no acesso a tratamentos oncológicos
Por ContraFatos 08/07/2026 Atualizado em 08/07/2026
OMS prevê o dobro de casos de câncer até 2050, atingindo 35 milhões anuais (FABRICE COFFRINI/AFP)
Relatório aponta que desigualdade socioeconômica compromete acesso a tratamentos e eleva mortalidade pela doença em todo o mundo
O número de diagnósticos de câncer pode dobrar nas próximas décadas, alcançando cerca de 35 milhões de casos anuais até 2050. O alerta foi feito nesta quarta-feira, 8, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que classifica o cenário como um dos maiores desafios globais para a saúde pública.
Desigualdade social como barreira ao tratamento
Elaborado em parceria com a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), o relatório coloca as disparidades socioeconômicas no centro do problema. Segundo o documento, a falta de equidade no acesso aos tratamentos reduz significativamente as chances de sobrevivência de milhões de pacientes ao redor do planeta.
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O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, reforçou a gravidade da situação: “o câncer é uma doença profundamente pessoal que afeta praticamente a todos. Mas a sobrevivência de uma pessoa nunca deveria depender do local onde nasceu ou de quanto ganha”. Para a entidade, essas desigualdades decorrem de escolhas e, portanto, podem ser revertidas com a adoção de um plano de ação coordenado.
Fatores de risco evitáveis alimentam o crescimento da doença
A OMS defende uma resposta imediata baseada em uma “abordagem centrada nas pessoas”. Essa estratégia priorizaria o combate a fatores de risco evitáveis — como tabagismo e obesidade — e a integração do cuidado oncológico aos sistemas universais de saúde.
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O levantamento também identifica uma mudança no perfil da doença. Além do tabaco, o sedentarismo, hábitos alimentares de baixa qualidade e a poluição do ar contribuem para o aumento expressivo dos diagnósticos. A organização alerta que as escolhas feitas agora terão impacto direto na carga de câncer que as gerações futuras terão de enfrentar.
Pulmão, mama e próstata entre os tipos mais preocupantes
Segundo o relatório, o tumor de pulmão continua sendo o mais letal, apesar de o consumo global de tabaco ter recuado 27% desde 2010. No público feminino, o câncer de mama apresenta taxas de sobrevivência muito desiguais quando países de alta e baixa renda são comparados. Entre os homens, o câncer de próstata figura entre os mais frequentes.
A doença segue como a segunda maior causa de mortes no mundo, ficando atrás apenas das complicações cardiovasculares. Caso as projeções da OMS se confirmem, a necessidade de políticas públicas robustas e investimentos em prevenção se tornará ainda mais urgente nas próximas décadas.