Operação na Bolívia captura 8 brasileiros com vínculos ao PCC e Comando Vermelho na fronteira
Operação boliviana prendeu nove suspeitos de homicídios na fronteira com Mato Grosso, oito deles brasileiros ligados ao PCC e Comando Vermelho
Por ContraFatos 22/09/2026 Atualizado em 22/09/2026
Rodrigo Perez
Detidos são suspeitos de participação em quatro homicídios em região disputada pelo narcotráfico entre Brasil e Bolívia
Uma ofensiva policial no departamento de Santa Cruz, na Bolívia, resultou na prisão de nove pessoas acusadas de envolvimento em quatro assassinatos cometidos em San Ignacio de Velasco, localidade próxima à divisa com Mato Grosso. Do total de detidos, oito são brasileiros com supostas ligações ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Plano Fronteira Segura e o combate às facções
As capturas integram o Plano Fronteira Segura, iniciativa conjunta dos ministérios da Defesa e de Governo da Bolívia. O programa foi criado em resposta à escalada de violência provocada pela disputa por rotas do narcotráfico na faixa de fronteira com o Brasil.
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De acordo com o comandante-geral da polícia boliviana, Adrián Álvarez, sete dos suspeitos foram capturados em San Ignacio de Velasco. Todos integrariam o Comando Vermelho e teriam cruzado a fronteira por pontos clandestinos. Os detidos carregam antecedentes criminais por tráfico de drogas e homicídio, segundo as autoridades.
Presa com ligação ao PCC apresentada dias antes
Antes da operação principal, outras duas pessoas já haviam sido apresentadas à Justiça em Santa Cruz de la Sierra, na sexta-feira 18. Uma delas seria vinculada ao PCC, conforme informou o governo boliviano. A ação reforça a amplitude do cerco montado contra organizações criminosas brasileiras atuantes em território boliviano.
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Durante pronunciamento na Assembleia Legislativa na semana passada, o ministro de Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, revelou que PCC e Comando Vermelho já controlam rotas e áreas estratégicas próximas à divisa com o Brasil. Segundo Oviedo, as facções cobram “pedágios” e recrutam cidadãos bolivianos para engrossar suas fileiras.
Na mesma ocasião, o ministro defendeu a prorrogação do estado de emergência no país por mais 90 dias, medida considerada essencial para sustentar as operações de segurança na região fronteiriça.
Contexto de violência crescente
A região de San Ignacio de Velasco se tornou epicentro de disputas violentas entre facções brasileiras que buscam consolidar o domínio sobre corredores de tráfico internacional de drogas. O governo boliviano, sob a gestão do presidente Rodrigo Paz Pereira, tem intensificado a presença militar e policial na zona limítrofe como forma de conter a expansão do crime organizado proveniente do Brasil.