Da investigação sobre rifas ao rastreamento do ouro
A conexão entre o colar e a operação surgiu de forma indireta. Já havia uma apuração em andamento sobre o influenciador Buzeira, relacionada a possíveis irregularidades em rifas na internet. A repercussão gerada pela joia luxuosa acabou abrindo um novo caminho investigativo quando Douglas Bonetti Rocha, conhecido como “Jimmy”, foi identificado como o artesão que confeccionou a peça.
Após o depoimento de Douglas e a realização de diligências complementares, os investigadores optaram por instaurar um inquérito específico para rastrear a procedência do ouro utilizado no colar. Com o avanço do trabalho policial, chegou-se a uma rede de comerciantes suspeitos de atuar na receptação de metais preciosos originários de furtos e roubos.
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Entrar no grupo Douglas foi intimado em janeiro de 2024 e, em seu depoimento, declarou que adquire ouro de diferentes fornecedores e também participa de leilões da Caixa Econômica Federal.
Três grupos interligados formavam a estrutura criminosa
A investigação da Polícia Civil revelou que o esquema funcionava com três núcleos conectados entre si. O primeiro deles era composto pelos executores, indivíduos responsáveis por cometer diretamente os furtos e roubos de joias nas ruas, sempre orientados por intermediários que organizavam toda a logística das ações.
O segundo grupo reunia processadores, comerciantes e receptadores que recebiam o material subtraído e o adulteravam — em alguns casos, chegando a derreter as peças para eliminar rastros. O terceiro núcleo era formado pelos financiadores, encarregados de lavar o dinheiro gerado pelo esquema. Para isso, utilizavam empresas de fachada e depósitos fracionados com o objetivo de mascarar a origem dos recursos e inseri-los no sistema financeiro formal.
Primeira fase: R$ 2,7 milhões em ouro apreendidos
A etapa inicial da Operação Ouro Reverso foi deflagrada em 7 de maio de 2025. A Polícia Civil cumpriu 21 mandados de busca e apreensão e efetuou uma prisão temporária, com o objetivo de desmantelar o esquema de roubo de joias e lavagem de dinheiro. Na ocasião, foram apreendidos cerca de R$ 2,7 milhões em ouro e joias, além de R$ 157 mil em espécie.
As ações se estenderam por diversos municípios: São Paulo, Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos, Mairiporã e Campinas. Em Ferraz de Vasconcelos, os policiais prenderam Rony Gonçalves, apontado como o principal articulador na negociação de ouro roubado. Segundo a apuração, ele integrava o esquema liderado por Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como Mainha do Ouro, responsável por dar suporte às quadrilhas e garantir a circulação dos metais no mercado paralelo.
Segunda fase mira o “círculo de fogo” no centro de São Paulo
Na segunda-feira (24), a segunda etapa da operação foi executada. Quatro pessoas foram presas, 28 endereços foram fiscalizados e R$ 34,6 milhões em contas bancárias foram bloqueados pela Justiça.
Essa nova fase teve como alvo o chamado “círculo de fogo”, localizado na região central da capital paulista, área que concentrava o segundo grupo de criminosos — os responsáveis por derreter e adulterar as joias roubadas antes de reinseri-las no mercado.