Operação Indignus e esquema investigado
A sentença é resultado das investigações da Operação Indignus, deflagrada em outubro de 2023. O documento foi assinado em 13 de fevereiro, mas divulgado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) apenas nesta terça-feira, 25.
Segundo o MP, o esquema de desvio envolveu o Instituto São José, o Hospital Padre Zé e a Ação Social Arquidiocesana (ASA), todos em João Pessoa.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Viagem ao Paraná e recebimento das mercadorias
Conforme a denúncia, Padre Egídio e Samuel viajaram para Foz do Iguaçu (PR), em maio de 2023, para conferir e receber mercadorias doadas pela Secretaria da Receita Federal. A previsão era que os itens fossem vendidos para gerar recursos em benefício do hospital.
O total destinado foi de R$ 807.595,31 em produtos diversos, incluindo celulares.
As mercadorias chegaram à Paraíba sob escolta policial e foram recebidas em 1º de junho de 2023 em um local chamado “Casarão”. De acordo com as investigações, os dois decidiram que apenas parte dos itens permaneceria ali. Os produtos de maior valor teriam sido levados para a sala da presidência do Hospital Padre Zé. Quinze caixas foram colocadas no local.
Caixas vazias e falha nas câmeras
O Ministério Público apontou que não houve conferência imediata das mercadorias. Somente em 24 de julho as caixas foram abertas — e 12 delas estavam completamente vazias.
Segundo o MP, essas caixas teriam sido “estranhamente descartadas imediatamente”, sem que as autoridades fossem comunicadas sobre o desaparecimento dos itens.
Ao todo, 676 eletrônicos sumiram, gerando prejuízo estimado em R$ 525.877,77. A Polícia Civil foi acionada posteriormente e iniciou as apurações. A denúncia destaca que, no período entre a chegada das caixas à sala da direção e a conferência, houve falha nas câmeras de monitoramento do hospital.
Venda dos celulares e acordo entre os condenados
Durante a investigação, foi identificado que os celulares furtados eram anunciados em redes sociais por preços abaixo do mercado. De acordo com o Ministério Público, Samuel teria retirado os produtos da sala da presidência e negociado a venda em acordo com o padre.
Fundamentação da condenação
A juíza Ana Christina Soares Penazzi Coelho, da 3ª Vara Criminal da Capital, concluiu que os dois praticaram apropriação indébita. Além das penas privativas de liberdade e multa, a magistrada determinou que ambos indenizem o Instituto São José e a Arquidiocese da Paraíba no valor correspondente ao prejuízo, com correção monetária.
Esta é a primeira condenação entre 11 denúncias oferecidas pelo Ministério Público contra Padre Egídio, todas relacionadas ao mesmo caso. Das 30 propriedades sequestradas judicialmente nas ações, 19 foram identificadas e atribuídas ao religioso. Ainda se apura se esses imóveis foram adquiridos com recursos ilícitos.
O MP informou que outras denúncias já apresentadas descrevem práticas como lavagem e ocultação de bens e capitais, peculato, obstrução de justiça e formação de organização criminosa estruturada em múltiplos núcleos. A acusação específica de organização criminosa foi formalizada em 16 de dezembro de 2024. Em agosto de 2025, parte dos fatos foi encaminhada ao Ministério Público Federal, devido à possível utilização de recursos públicos federais.
Defesa promete recorrer
Em nota, a defesa de Samuel afirmou discordar da condenação e anunciou que vai recorrer da decisão. “Na verdade, ele agiu sob as ordens do padre e desconhecia que o produto da venda fosse outro que não a caridade. Vamos às instâncias superiores em busca de sua absolvição. O verdadeiro bandido é o sacerdote”, declarou.