O vice-presidente Pedro Alliana e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano se reuniram com o embaixador José Marcondes para formalizar a posição do país vizinho. Na ocasião, entregaram ao diplomata brasileiro um documento que expressa “rejeição” às falas presidenciais.
Nota de repúdio e pedido de devolução de troféus
“O governo do Paraguai entregou [no encontro com o embaixador] uma nota na qual expressou seu desagrado e seu absoluto repúdio às recentes declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sobre episódios da Guerra da Tríplice Aliança”, afirma um trecho do comunicado divulgado pela chancelaria paraguaia.
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Entrar no grupo Além do protesto formal, o documento apresenta uma série de reivindicações concretas como caminho para “fechar definitivamente as feridas” do conflito histórico. O vice-presidente e o chanceler reforçaram que Brasil e Paraguai são nações “irmãs” e que, justamente por isso, era necessário tratar o episódio com seriedade.
Entre os pedidos feitos pelo Paraguai ao Brasil estão:
- Devolução do canhão “Presidente López”;
- Devolução do canhão “Cristiano”;
- Devolução de demais troféus de guerra;
- Devolução de documentos relativos ao conflito.
O canhão “El Cristiano” encontra-se atualmente no Pátio Epitácio Pessoa, no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
Paraguai critica representação “distorcida” da história
“O governo sustenta que as manifestações representam de maneira distorcida feitos históricos de singular relevância para o povo paraguaio e enfatiza que os acontecimentos que marcaram profundamente a história de ambas nações devem ser abordadas com responsabilidades, respeito recíproco e espírito de reconciliação”, diz outro trecho da nota oficial.
Embaixador brasileiro nega intenção de ofensa
Segundo integrantes da diplomacia brasileira, o embaixador José Marcondes contextualizou as declarações de Lula durante a reunião e garantiu que “em nenhum momento houve intenção de ofender o Paraguai.”
Um diplomata que acompanhou os desdobramentos do encontro declarou: “Ele lembrou a histórica amizade do Brasil com o Paraguai, reforçada nos períodos em que o Presidente Lula governa o Brasil.”
Entenda a Guerra do Paraguai
A Guerra do Paraguai, também chamada de Guerra da Tríplice Aliança, é considerada o maior conflito armado da história da América do Sul. O confronto se estendeu de 1864 a 1870 e opôs o Paraguai à aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai.
As tensões começaram em meio a disputas políticas na região do Rio da Prata. Em 1864, o Brasil interveio militarmente no Uruguai durante uma guerra civil naquele país. O ditador paraguaio Francisco Solano López enxergou na ação uma ameaça ao equilíbrio de poder regional e respondeu apreendendo um navio brasileiro, seguido de uma declaração formal de guerra.
Durante quase seis anos, o conflito produziu algumas das batalhas mais violentas do continente, como a de Tuiuti, em 1866. Embora os paraguaios tenham obtido sucessos militares iniciais, sofreram derrotas progressivas conforme a guerra avançava.
Para o Paraguai, as consequências foram devastadoras. O país perdeu grande parte de sua infraestrutura e porções significativas de seu território, além de enfrentar uma grave crise demográfica que marcou profundamente sua história.