Tarifas atingem “o alvo errado”, argumenta o empresário
No documento de inscrição obtido pela CNN, Figueiredo adianta que vai pedir a suspensão do tarifaço e a ampliação de sanções individuais contra autoridades que ele considera responsáveis pelas práticas sob investigação americana. O argumento central é que as tarifas de 25% “atingem o alvo errado”, pois penalizam exportadores brasileiros, consumidores dos dois países e cidadãos que, segundo ele, foram vítimas das medidas de censura atribuídas a Moraes e ao atual governo federal.
Na avaliação do empresário, a sobretaxa não alcança os verdadeiros responsáveis. Pior: acaba favorecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, já que o governo petista transforma o embate com Washington em um discurso de defesa da soberania nacional e, paralelamente, reforça a aproximação do Brasil com a China e o Brics.
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Entrar no grupo Lei Magnitsky e restrições de visto como alternativa
Em vez do tarifaço, Paulo Figueiredo propõe que os EUA ampliem o uso de sanções direcionadas. Ele menciona especificamente a Lei Magnitsky e as restrições de visto previstas na legislação americana como instrumentos capazes de atingir “as autoridades responsáveis e seus familiares”, sem impor custos à economia brasileira como um todo.
O empresário destaca que o Departamento do Tesouro americano já aplicou sanções da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, sua esposa e a empresa patrimonial da família, além de restrições de visto determinadas pelo Departamento de Estado. Na visão de Figueiredo, essas medidas deveriam ser retomadas e ampliadas como substituição às tarifas.
Risco de “vantagem decisiva” para o governo Lula
Outro ponto central da argumentação é o timing eleitoral. Figueiredo sustenta que impor a tarifa às vésperas da eleição presidencial brasileira daria uma “vantagem decisiva” às autoridades responsáveis pelas práticas investigadas, ao fortalecer a narrativa nacionalista do governo Lula.
Flávio Bolsonaro e a posição contra o tarifaço
Conforme apuração da CNN, Flávio Bolsonaro deve usar a audiência pública para se posicionar contra a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e contra qualquer medida direcionada ao Pix, defendendo uma solução negociada entre os dois países.
No início de junho, o senador havia enviado uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo Trump poupasse o Brasil da nova proposta de tarifaço. Nesta sexta-feira (26), Rubio respondeu ao senador por meio de carta na qual reforçou a posição norte-americana em defesa da aplicação de tarifas sobre importações de produtos brasileiros.
Planalto vê tentativa de “legitimar” Flávio como interlocutor
A CNN apurou ainda que o Palácio do Planalto avalia que o secretário de Estado americano tenta “legitimar” Flávio Bolsonaro como principal interlocutor do Brasil na negociação do tarifaço. Diplomatas ouvidos pela reportagem acreditam que a inscrição do senador para participar da audiência pública do dia 6, em Washington, faz parte desse esforço coordenado.