Outros gastos que pressionam o orçamento incluem financiamentos de imóveis ou veículos (44%), roupas, utilidades e outros itens de consumo (43%), empréstimos (33%) e estudos (22%). Cada participante podia indicar até três categorias de despesa.
Quase metade recorre a alternativas para fechar as contas
O levantamento mostrou que 47% dos profissionais ouvidos precisam buscar algum recurso ou alternativa adicional para conseguir pagar suas obrigações mensais. Já 6% simplesmente terminam o mês no vermelho, sem qualquer solução extra disponível.
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Entrar no grupo O percentual de trabalhadores sem dinheiro ao fim do mês praticamente não mudou em relação ao ano anterior. Em 2025, 54% dos entrevistados relatavam a mesma situação, o que indica uma pressão financeira persistente sobre a população.
Metodologia da pesquisa
A Serasa Experian ouviu 1.008 profissionais de empresas públicas e privadas, incluindo trabalhadores com carteira assinada e pessoas que atuam como PJ (pessoa jurídica). As entrevistas foram conduzidas pela internet entre 12 e 30 de junho, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais.
Endividamento cobra preço na saúde e na rotina profissional
A pesquisa também investigou as consequências do endividamento entre trabalhadores que passaram ou ainda passam por problemas financeiros nos últimos cinco anos. Os impactos são significativos tanto na vida pessoal quanto no ambiente corporativo.
Na esfera pessoal, 44% dos entrevistados relataram irritabilidade e insônia. Alterações de peso, depressão, dores físicas e isolamento social também foram mencionados como efeitos diretos das dificuldades com dinheiro.
No trabalho, os números são igualmente alarmantes: 51% relataram estresse, 46% apontaram exaustão extrema ou esgotamento físico, 35% perceberam diminuição da atenção e 33% identificaram queda de produtividade.
Realidade de quem vive com o orçamento apertado
O estudante universitário Pietro Nascimento, de 24 anos, conhece bem esse cenário. Há pouco mais de um ano, ele decidiu deixar a casa da família para morar sozinho em São Paulo (SP), em busca de mais independência e de um endereço mais próximo do trabalho.
A realidade, porém, não permitiu folga financeira. “Só o aluguel consome quase metade da minha renda. Cerca de R$ 2.000 de um salário de R$ 4.500”, conta Nascimento. Apesar de ter planos de adquirir um imóvel no futuro, ele reconhece que ainda não conseguiu dar passos concretos nessa direção. “Continuo pesquisando imóveis mais baratos e formas de financiamento.”
Especialistas apontam educação financeira como caminho
Para os especialistas da Serasa, investir em educação financeira é uma das formas mais eficazes de enfrentar o problema. Delber Lage, diretor de soluções de RH da Serasa Experian, destacou a gravidade da situação.
“Os dados mostram que a dificuldade de equilibrar o orçamento não é uma situação pontual. Quando esse cenário não se altera de um ano para o outro, vemos uma pressão persistente sobre a saúde financeira”, diz Lage.
“Essa falta de margem pode levar à busca por alternativas para complementar a renda ou financiar despesas do dia a dia.”