Levantamento indica divisão de opiniões e ocorre após rebaixamento da Acadêmicos de Niterói
Uma pesquisa nacional revelou que a maioria dos entrevistados avalia como propaganda eleitoral antecipada a homenagem feita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela escola de samba Acadêmicos de Niterói. O levantamento foi realizado pelo instituto Real Time Big Data.
De acordo com os dados, 62% consideram que o desfile teve caráter de promoção eleitoral antes do período permitido por lei. Outros 38% discordam dessa interpretação.
Público majoritariamente não assistiu ao desfile
A pesquisa mostrou ainda que 94% dos entrevistados afirmaram não ter acompanhado a apresentação da escola no carnaval do Rio de Janeiro. Entre os que assistiram, as reações foram variadas: 47% disseram ter sentido indiferença, 30% relataram raiva e 23% declararam admiração.
O estudo ouviu 1.200 pessoas entre os dias 18 e 19 de fevereiro, em todas as regiões do país. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Estreia no Grupo Especial e rebaixamento
A Acadêmicos de Niterói participou neste ano pela primeira vez do Grupo Especial do carnaval carioca. Apesar da expectativa em torno da estreia, a escola acabou rebaixada.
Durante a apuração das notas, a agremiação recebeu apenas duas avaliações máximas. O desempenho insuficiente contribuiu para a queda de categoria.
Enredo exaltou trajetória de Lula
Com o enredo Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, a escola apresentou um desfile que percorreu a trajetória do presidente desde a infância no Nordeste até a chegada à Presidência da República. A narrativa também incluiu críticas direcionadas a adversários políticos do petista.
Além da exaltação à figura de Lula, o desfile incorporou alas com ironias e críticas a segmentos conservadores, incluindo cristãos evangélicos.
Uma das alas, identificada com o número 22 e intitulada Neoconservadores em conserva, trouxe fantasias em formato de lata. A composição incluía personagens como fazendeiro, mulher rica, defensores da ditadura militar e evangélicos, em uma sátira ao conservadorismo.