A cada nova etapa da operação, o volume de apreensões cresce. Oito celulares utilizados por Vorcaro foram localizados em três ocasiões distintas. Desses, cinco já foram periciados total ou parcialmente. O aparelho mais relevante — apreendido em 17 de novembro, data da prisão do ex-banqueiro — concentra a maior parte da documentação considerada importante pelos investigadores.
Prisão inesperada impediu destruição de provas
Vorcaro foi preso na noite anterior à primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025, quando tentava deixar o país. A antecipação da detenção teve um efeito colateral favorável às investigações: os envolvidos não tiveram oportunidade de apagar conversas ou destruir evidências digitais.
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Entrar no grupo Diante da recusa do ex-banqueiro em fornecer as senhas dos dispositivos, a PF empregou softwares forenses para acessar o conteúdo. A estratégia permitiu a recuperação de conversas que sustentam suspeitas de fraude bilionária, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos.
O que revelam os aparelhos e documentos apreendidos
O primeiro celular analisado continha arquivos protegidos por criptografia complexa. Embora a PF já tenha conseguido acessar o conteúdo, a análise completa ainda não foi finalizada. O cruzamento dos dados coletados revelou que Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos que incluía integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e do alto escalão do Judiciário.
As apurações também apontam o envolvimento de familiares do ex-banqueiro no esquema, o que conferiria à organização “contornos de máfia”, conforme descreveu o relator do caso no STF, ministro André Mendonça.
Grupos de intimidação e pagamentos ilícitos
Mensagens e áudios encontrados nos dispositivos indicam a existência de dois grupos chamados “A Turma” e “Os Meninos”. Essas células reuniam policiais, hackers e operadores com o objetivo de monitorar desafetos e promover intimidações. A defesa de Vorcaro sempre negou essas acusações.
Segundo as investigações, policiais, servidores do Banco Central e do BRB teriam recebido pagamentos em troca de informações privilegiadas sobre a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Os servidores suspeitos já foram afastados pela PF.
Referências a diálogos com ministro do STF
Anotações e capturas de tela encontradas nos celulares de Vorcaro fariam referência a conversas com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O ministro, no entanto, nega a existência dos diálogos. Os arquivos estão passando por perícia de integridade para confirmar os metadados.
Restrições impostas pelo ex-relator reduziram ritmo dos trabalhos
O ex-relator do caso, ministro Dias Toffoli, reteve aparelhos no início de 2026 e limitou a análise a apenas quatro peritos. A decisão impactou diretamente a velocidade dos trabalhos periciais. A investigação encontra-se atualmente em etapa intermediária, e novas fases da operação seguem no radar da Polícia Federal.
Daniel Vorcaro permanece preso e já teve duas negociações de delação premiada negadas.