Mensagens revelam busca por “orientações estratégicas”
Nos autos, a PF destaca diálogos em que o investigado solicitava “orientações estratégicas” a respeito de reuniões institucionais, preparação de documentos e a melhor forma de tratar assuntos sensíveis diante de autoridades reguladoras.
Entre os interlocutores estava Paulo Sérgio Neves de Souza, que exercia o cargo de chefe-adjunto de Supervisão Bancária do BC. Em conversas via WhatsApp transcritas no processo, o servidor enviou a Vorcaro a imagem da portaria de sua nomeação para o posto. O banqueiro respondeu com “Parabéns”.
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Entrar no grupo Posteriormente, segundo a decisão, Paulo Sérgio também orientou Vorcaro sobre como deveria se comportar em um encontro com o presidente do Banco Central.
Para os investigadores, o servidor teria passado a atuar como uma espécie de “empregado/consultor” do empresário em pautas de interesse exclusivamente privado. A PF sustenta que há diversas mensagens que reforçam essa dinâmica.
Minutas analisadas antes de protocolo oficial
Outro trecho da decisão menciona que Vorcaro encaminhou a Paulo Sérgio uma minuta de ofício que seria protocolada pelo Banco Master justamente no departamento comandado pelo servidor. O objetivo era obter uma avaliação prévia. Em resposta, o funcionário sugeriu diversas alterações no texto.
As investigações também apontaram troca de mensagens entre Vorcaro e Belline Santana, outro integrante do Banco Central. Segundo o documento judicial, o padrão se repetia: Belline teria atuado como consultor informal do empresário em assuntos ligados ao órgão regulador, inclusive opinando sobre ofício que seria submetido à área sob sua chefia.
Contratos simulados e repasses financeiros
A decisão relata ainda indícios de que Vorcaro teria coordenado a formalização de contratos simulados de prestação de serviços, por meio de uma empresa de consultoria. O objetivo seria justificar transferências financeiras destinadas a servidores do Banco Central como contrapartida pela “assessoria” privada prestada.
Além das suspeitas de repasses, a investigação identificou possíveis vantagens pessoais. Em mensagens nas quais Paulo Sérgio comentava sobre viagem a parques de Orlando, incluindo Disney e Universal, Vorcaro afirmou que precisaria “arrumar guia pra essas pessoas” e acionou um contato para providenciar o serviço.
Risco à fiscalização e à credibilidade do órgão
Ao fundamentar as medidas cautelares, o ministro destacou que os servidores ocupavam funções diretamente relacionadas à fiscalização de instituições financeiras, aplicação de sanções administrativas e acesso a informações estratégicas e sigilosas.
Conforme a decisão, a permanência desses funcionários em seus cargos poderia favorecer a continuidade das condutas investigadas e até dificultar o andamento das apurações, além de afetar a credibilidade do órgão regulador.
Defesa de Vorcaro se pronuncia
A defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, afirmou que o empresário “sempre esteve à diposição das autoridades”. Em nota, os advogados declararam:
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.
A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.
Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”