PF apreende contrato que revela acordo de Vorcaro na prisão para documentário sobre escândalo do Banco Master
Polícia Federal encontrou contrato firmado por Vorcaro após sua prisão para produzir documentário sobre o escândalo do Banco Master
Por ContraFatos 13/09/2026 Atualizado em 13/09/2026
Daniel Vorcaro — Foto: Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo
Documento assinado após a prisão do banqueiro previa entrevistas exclusivas e acesso a materiais sigilosos
Um contrato localizado pela Polícia Federal durante buscas na residência do publicitário Thiago Miranda expôs que Daniel Vorcaro firmou um acordo para viabilizar a produção de um documentário sobre o escândalo do Banco Master. O que chama atenção é a data do documento: 31 de março de 2026 — ou seja, posterior à prisão de Vorcaro. Miranda, apontado como um dos nomes ligados ao banqueiro, também assina o contrato.
Sigilo levantado por André Mendonça revelou detalhes da investigação
A existência do contrato veio a público por meio de um relatório da PF que integra os documentos cujo sigilo foi levantado na noite de sexta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)André Mendonça. As informações foram obtidas durante o cumprimento de um mandado na casa de Miranda.
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Contrato previa entrevistas, acesso a documentos e possível série documental
De acordo com o relatório policial, o acordo estabelecia que “Daniel Vorcaro e Thiago Miranda concordam em colaborar com a produção, fornecendo informações, entrevistas e acesso a documentos que auxiliem na elaboração da obra”. A dupla se comprometia a “conceder entrevistas exclusivas” e a compartilhar “informações, documentos, imagens e materiais”. A vigência inicial do contrato era de seis meses, com possibilidade de resultar em um filme ou série documental.
PF aponta possível manipulação da opinião pública
Na avaliação da Polícia Federal, os envolvidos “aparentemente estão negociando a venda de informações para a produção de um documentário que poderá servir para mais uma vez manipular a opinião pública”. A suspeita é de que a produção audiovisual não teria caráter meramente informativo.
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Ao fundamentar a decisão que proibiu Thiago Miranda de deixar o país, o ministro André Mendonça conectou o documentário ao chamado “Projeto DV”. Segundo depoimentos e evidências reunidos na investigação, esse plano tinha como objetivo melhorar a imagem do Banco Master e, ao mesmo tempo, direcionar críticas ao Banco Central. Miranda seria um dos articuladores centrais desse esquema, conforme os investigadores.
Mendonça reconhece que obra audiovisual não é crime, mas aponta “contornos penais”
O ministro do STF fez questão de ressalvar em sua decisão que a “produção de obra audiovisual, por si só, não configura nenhuma prática criminosa”. Contudo, destacou que o contexto mais amplo confere ao contrato “contornos penais”. Mendonça acrescentou que as investigações revelaram que o “Projeto DV” envolvia “o levantamento e a utilização de dados pessoais sigilosos e negados, da vida privada de jornalistas e executivos”.