PF descobre uso de logins de servidores do MPF para acessar processos sigilosos no Caso Master
Polícia Federal identificou uso de logins de servidores do MPF para acessar processos sigilosos na investigação sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master
Por ContraFatos 11/09/2026 Atualizado em 11/09/2026
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master • Reprodução
Investigação sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro revela acessos irregulares a sistemas do MPF, Polícia Federal, Polícia Civil e Banco Central
Documentos divulgados na noite desta quinta-feira (10), após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) derrubar o sigilo da apuração sobre o Caso Master a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, trouxeram à tona revelações graves sobre o esquema articulado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.
Logins funcionais utilizados para consultas não autorizadas
O relatório da Polícia Federal aponta que logins funcionais pertencentes a servidores do MPF (Ministério Público Federal) foram empregados para acessar processos sigilosos. A descoberta partiu da análise de conteúdo extraído do celular de Vorcaro, que revelou acessos recorrentes e irregulares a procedimentos sob sigilo em diversas instituições.
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“As mensagens evidenciam que havia acesso recorrente e irregular a procedimentos sigilosos em andamento no MPF, na Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central”, afirma o relatório.
Conforme os investigadores, as invasões aconteciam de três formas: uso de logins funcionais de terceiros, extração indevida de documentos e consultas não autorizadas em sistemas internos. As informações protegidas por sigilo eram obtidas e utilizadas para “finalidades alheias ao interesse público”, segundo o documento.
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No quadro que relaciona as pessoas citadas na apuração, a PF identificou que o login de dois servidores foi utilizado repetidamente para acessar processos sigilosos do órgão. A Polícia Federal registra que houve “possível uso indevido, com ou sem participação consciente”.
Estrutura organizada e monitoramento de autoridades
A investigação constatou que o ex-banqueiro montou uma “estrutura organizada, com divisão funcional de tarefas” voltada “à prática reiterada de condutas ilícitas em diversas frentes de atuação”.
A PF apurou que o chamado “executor operacional” de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — referido como Felipe Mourão —, recebia R$ 1 milhão por mês para agir em nome do ex-banqueiro.
O relatório policial detalha as atribuições de Mourão dentro do esquema: