PF endurece com Vorcaro: banqueiro vai para cela comum e só recebe advogados em visitas curtas
Daniel Vorcaro foi transferido para cela comum na PF e teve visitas de advogados restringidas em meio a impasse na delação do caso Master
Por ContraFatos 18/05/2026 Atualizado em 18/05/2026
Daniel Vorcaro
Banqueiro preso no caso Master deixa sala especial e passa a ocupar cela de passagem na Superintendência da PF em Brasília
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, passou por mudanças drásticas em suas condições de detenção na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Na noite de segunda-feira (18/5), o banqueiro foi retirado da sala especial onde estava alojado — o mesmo espaço que já abrigou o ex-presidente Jair Bolsonaro por alguns meses — e transferido para uma cela comum, utilizada por presos em trânsito pela unidade.
Condições da nova cela geram críticas de aliados
Pessoas próximas a Vorcaro relatam que o novo espaço sequer conta com um banheiro em condições adequadas. Na avaliação de aliados do banqueiro, a cela seria inferior a qualquer instalação existente na Papuda, na Papudinha e até na Penitenciária Federal de Brasília — locais onde ele já cumpriu parte de sua prisão preventiva, decretada em 19 de março no âmbito do caso Master.
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Acesso da defesa passa a ser limitado a duas visitas diárias de 30 minutos
A transferência de cela não foi a única alteração na rotina do banqueiro. A Polícia Federal também impôs restrições severas ao contato entre Vorcaro e seus advogados. A partir de agora, a defesa só poderá visitá-lo duas vezes ao dia, com duração máxima de 30 minutos cada encontro, e sem portar instrumentos de trabalho. Antes dessa determinação, os advogados tinham acesso livre ao preso das 9h às 17h, sem qualquer limitação.
Decisão foi respaldada pelo ministro André Mendonça
As mudanças foram adotadas pela PF após o ministroAndré Mendonça, relator do caso Master no STF, autorizar que o banqueiro fosse submetido às “regras de funcionamento ordinárias” da Superintendência da PF em Brasília. A decisão abriu caminho para que a corporação enquadrasse Vorcaro no regime padrão aplicado aos demais detentos do local.
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Delação premiada sob questionamento motivou endurecimento
O endurecimento das condições de detenção ocorre em meio a um impasse envolvendo a delação premiada de Vorcaro. Investigadores têm criticado o banqueiro por não revelar tudo o que sabe sobre o esquema investigado e por supostamente poupar alguns personagens envolvidos no caso Master. Preso preventivamente desde março na Operação Compliance Zero, o dono do banco permanece sob custódia federal enquanto as negociações em torno de sua colaboração seguem sob tensão.