PF investiga dossiê secreto sobre Moraes e Toffoli — o que havia nos arquivos?
Perito da PF é investigado por criar dossiê secreto sobre ministros Moraes e Toffoli usando dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro
Por ContraFatos 10/07/2026 Atualizado em 10/07/2026
Alexandre de Moraes e Dias Toffoli Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Documentos foram elaborados a partir de informações extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero
Arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” estão no centro de uma investigação que apura violação de sigilo funcional por parte do perito criminal João Cláudio Nabas, servidor da Polícia Federal. A existência dos documentos foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a corporação identificar indícios de que o material havia sido produzido com dados do aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero.
Cronologia da produção dos arquivos
A reconstituição feita pela PF revelou que Nabas passou a integrar a equipe da operação em novembro de 2025. No dia 1º de dezembro, ele acessou os dados contidos no celular de Vorcaro. Três dias depois, em 4 de dezembro, os dois documentos já haviam sido elaborados. Um deles trazia trechos de um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Leitura
Conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, os arquivos reuniam menções aos ministrosAlexandre de Moraes e Dias Toffoli encontradas no aparelho apreendido e teriam sido criados em dezembro do ano passado.
Tentativa de encaminhar material à imprensa
Depoimentos de policiais envolvidos na apuração indicam que o perito chegou a sugerir a colegas que o conteúdo fosse repassado à imprensa. A proposta, segundo os relatos, foi rejeitada. Contudo, pouco tempo depois, informações referentes ao contrato vieram a público. Para a Polícia Federal, essa coincidência reforça a suspeita de que Nabas tenha sido o responsável pelo vazamento.
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No pedido de busca e apreensão apresentado à Justiça, a PF sustentou que a análise dos metadados dos arquivos confirmou a autoria por parte de Nabas. Os investigadores também apontaram indícios de que os documentos foram organizados com o objetivo de divulgação externa. Além disso, a corporação alegou que o servidor desviou o foco da investigação original ao buscar, deliberadamente, informações relacionadas a ministros do STF.
Em maio, Nabas foi alvo de busca e apreensão e acabou afastado do cargo por suspeita de violação de sigilo funcional.
Inquérito separado da Operação Compliance Zero
O inquérito que investiga o suposto vazamento tramita de forma independente da Operação Compliance Zero, cujo foco são crimes financeiros envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. A Polícia Federal esclareceu que a apuração em curso se concentra exclusivamente na conduta de João Cláudio Nabas, sem envolver jornalistas ou profissionais amparados pelo sigilo da fonte.