PF recusa delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master
Polícia Federal recusou a delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, considerando os relatos seletivos e insuficientes para as investigações
Por ContraFatos 21/05/2026 Atualizado em 21/05/2026
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Investigadores classificaram relatos do ex-banqueiro como seletivos; negociações seguem com a PGR
Preso desde 4 de março sob suspeita de fraudes financeiras, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, teve sua proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 20. Apesar da recusa, o executivo continua em tratativas com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para viabilizar um acordo de colaboração.
Relatos considerados insuficientes pelos investigadores
No início de maio, a defesa de Vorcaro apresentou uma primeira proposta de colaboração tanto à PF quanto à PGR. Os investigadores, contudo, entenderam que as informações fornecidas pelo ex-banqueiro foram “seletivas” e de pouca utilidade para aprofundar as apurações em andamento.
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Um episódio em particular gerou insatisfação entre os responsáveis pelo caso. A investigação aponta que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria recebido “vantagens indevidas” de Vorcaro — dado que, segundo os investigadores, foi deliberadamente omitido dos relatos apresentados pelo empresário.
Conexão com o Fundo Garantidor de Crédito
A apuração também identificou que Ciro Nogueira apresentou uma emenda legislativa com o objetivo de elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — mecanismo que protege depósitos bancários em caso de falência de instituições financeiras — de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. De acordo com os investigadores, integrantes do Banco Master teriam participado diretamente da elaboração dessa proposta.
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Delação pode ser ampla e envolver ministros do STF
Nos bastidores, interlocutores descrevem a eventual delação de Vorcaro como potencialmente “do fim do mundo”, tamanha a abrangência esperada. Informações indicam que os depoimentos devem tratar do envolvimento de servidores públicos e operadores do mercado financeiro no escândalo sob investigação.
Existe ainda a expectativa de que os relatos mencionem os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Imunidade para familiares e admissão parcial de crimes
Entre as condições em negociação, a defesa de Vorcaro busca garantir imunidade jurídica a familiares do empresário — sobretudo o pai e a irmã —, a fim de evitar que movimentações financeiras atribuídas ao ex-banqueiro recaiam sobre parentes no curso das investigações.
Interlocutores relatam que Vorcaro está disposto a admitir episódios de lavagem de dinheiro, mas insiste em negar que tenha integrado qualquer organização criminosa. Há também, nos bastidores, a avaliação de que os relatos possam alcançar o Banco Regional de Brasília, ampliando ainda mais o raio do escândalo.