PF teria privilegiado Dino e deixado Mendonça sem diligências em investigações do Dark Horse
Polícia Federal teria concentrado pedidos de diligências no gabinete de Dino e deixado Mendonça sem solicitações relevantes nas investigações do Dark Horse
Por ContraFatos 11/09/2026 Atualizado em 11/09/2026
O ministro Flávio Dino, durante sessão do STF (Gustavo Moreno/STF)
Corporação é acusada de adotar estratégia seletiva entre gabinetes do STF nas apurações sobre o filme de Bolsonaro
Uma disputa silenciosa nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) revela que a Polícia Federal (PF) teria conduzido de forma desigual duas investigações relacionadas ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A corporação estaria concentrando pedidos de diligências no gabinete do ministroFlávio Dino, enquanto deixava de apresentar solicitações relevantes ao ministro André Mendonça, relator original do inquérito sobre os repasses financeiros destinados à produção.
Dois inquéritos, dois tratamentos distintos
O ministro André Mendonça abriu, em 22 de julho, um inquérito específico para apurar os repasses do banqueiro Daniel Vorcaro ao Dark Horse. A decisão tornou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) oficialmente investigado, sob suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ligadas às negociações de patrocínio para o filme. O procedimento tramita sob sigilo, e as suspeitas ainda são objeto de apuração, sem qualquer condenação.
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Desde a instauração desse inquérito, porém, a PF não teria encaminhado a Mendonça pedidos considerados relevantes de diligências, segundo fontes do STF e da própria corporação ouvidas pela coluna.
Gabinete de Dino recebeu os pedidos estratégicos
Em paralelo, o ministro Flávio Dino conduz uma investigação separada, focada no suposto uso irregular de emendas parlamentares para financiar a produção cinematográfica. Foi justamente para esse gabinete que a PF teria direcionado seus pedidos de diligências.
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Na quinta-feira (10), Dino autorizou uma operação de busca e apreensão vinculada a essa apuração. Os alvos incluíram Karina Gama, responsável pela produtora do filme, e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que exerceu a função de produtor executivo da obra.
Desconfiança e alinhamento político motivaram a escolha, dizem fontes
De acordo com fontes da PF consultadas pela reportagem, a decisão de concentrar as solicitações no gabinete de Dino teve motivação estratégica. Haveria desconfiança em relação ao ministro Mendonça, o que levou a corporação a considerar mais conveniente trabalhar com o responsável pela investigação paralela.
Ainda segundo essas fontes, a avaliação interna da PF seria de que Dino estaria mais alinhado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à atual cúpula da corporação.
Disputa entre ministros do STF como pano de fundo
A coexistência de dois inquéritos no STF sobre fatos interligados ao Dark Horse se dá num contexto de disputa entre ministros da Corte pela condução de diferentes procedimentos envolvendo o filme e seus financiadores. As informações sobre a estratégia interna da PF, no entanto, baseiam-se nos relatos de fontes ouvidas pela reportagem, sem que haja manifestação oficial da corporação sobre o assunto.