O pedido de investigação havia sido feito pelo vereador Guilherme Kilter (Novo-PR), que questionou decisões do ministro em benefício da antiga cúpula da CBF, mesmo diante de uma situação de possível suspeição.
A CBF tem uma parceria com o IDP para promover a CBF Academy, um projeto de profissionalização e modernização da indústria do futebol brasileiro.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Arquivamento com base em “elementos insuficientes”
A Assessoria Jurídica Criminal da PGR defendeu o arquivamento do pedido de apuração ao afirmar que os elementos apresentados contra Gilmar Mendes seriam “insuficientes para comprovar, minimamente sequer, que o ministro agiu para beneficiar ilicitamente Ednaldo Rodrigues e sua gestão na CBF”.
“O que se apresenta, isso sim, é questão de índole processual, acerca dos limites do eventual impedimento ou suspeição do julgador, sem nenhuma conotação penal”, acrescentou a PGR.
Entre os elementos mencionados estão a decisão liminar de Gilmar Mendes em favor de Ednaldo Rodrigues e o contrato firmado entre a CBF e o IDP.
As decisões de Gilmar que beneficiaram Ednaldo Rodrigues
Em janeiro de 2024, Gilmar Mendes suspendeu uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que havia determinado o afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF.
Posteriormente, em maio de 2025, o ministro negou dois novos pedidos que buscavam o afastamento de Ednaldo do cargo.
Em declaração ao UOL, Gilmar negou qualquer conflito de interesses:
“Eu sou sócio do IDP e, em dado momento histórico, o IDP aceitou uma proposta da CBF para realizar os cursos que a CBF Academy fazia. Foi somente um contrato de direito privado dirigido pela direção do IDP. Não há nenhum conflito de interesse meu em relação a esta questão. O IDP, como sabem, é uma instituição extremamente conceituada no Brasil e no exterior. E neste caso, na verdade, [o IDP] estava organizando e cedendo seu bom prestígio à CBF, e não o contrário.”
Apesar disso, as decisões que mantiveram Ednaldo no cargo desde o início de 2024 foram alvo de desconfiança, principalmente por conta da ligacão direta entre Gilmar e o IDP, do qual é sócio, e de seu filho, Francisco Schertel Mendes, que é o diretor-geral da instituição.
Em 15 de maio de 2025, o TJ-RJ voltou a determinar o afastamento de Ednaldo Rodrigues. Dias depois, em 19 de maio, o dirigente desistiu de tentar retornar ao cargo.