Polícia acha fazenda de criptomoedas escondida em mercado no Complexo do Lins em operação contra o CV
Operação Contenção encontra fazenda de criptomoedas escondida em mercado no Complexo do Lins e prende oito suspeitos ligados ao Comando Vermelho
Por ContraFatos 22/05/2026 Atualizado em 22/05/2026
Fazenda de criptomoedas funcionava em merdado do Complexo do Lins — Foto: Reprodução/Polícia Civil
Estrutura com dezenas de computadores funcionava escondida dentro de um mercado com ligações clandestinas de energia
Uma fazenda de mineração de criptomoedas foi encontrada por agentes da Polícia Civil nesta sexta-feira durante mais uma fase da Operação Contenção, realizada no Complexo do Lins, Zona Norte do Rio de Janeiro. A estrutura, equipada com dezenas de computadores usados para minerar bitcoins e outras moedas digitais, estava oculta nos fundos de um mercado e funcionava por meio de ligações improvisadas de energia elétrica.
A ação já resultou, até o momento, na prisão de oito pessoas. A operação tem como alvo traficantes do Comando Vermelho (CV) investigados por manter domínio armado sobre a região e por envolvimento em roubos e outros crimes patrimoniais.
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Núcleo criminoso com alto grau de organização
Entre os procurados está o traficante Emanuel dos Santos Carvalho, conhecido como Mata Rindo. As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e pela 26ª DP (Todos os Santos), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de equipes dos departamentos-gerais de Polícia da Capital (DGPC), da Baixada (DGPB), do Interior (DGPI) e de Polícia Especializada (DGPE).
De acordo com a Draco, foi identificado um núcleo criminoso altamente estruturado que operava no tráfico de drogas, roubos de veículos, assaltos a transeuntes e ataques a instituições bancárias. O grupo também mantinha vigilância armada nos acessos à comunidade, monitorando em tempo real a movimentação das forças de segurança e repassando informações sobre deslocamentos de viaturas, blindados e aeronaves.
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Segundo as apurações, os criminosos promoviam a contenção armada do território controlado pela facção e utilizavam grupos restritos de comunicação para compartilhar ordens operacionais, alertas sobre ações policiais e coordenar atividades ligadas ao tráfico de drogas e à atuação armada da organização.
Em paralelo, a 26ª DP identificou suspeitos envolvidos em roubos de veículos e celulares, além de extorsões e outras práticas violentas. De acordo com a polícia, essas ações tinham o objetivo de sustentar o poder bélico e financeiro da facção no Complexo do Lins.
Conforme a Polícia Civil, os elementos de inteligência reunidos apontam um elevado grau de organização e divisão de tarefas dentro do grupo criminoso, que atuaria de forma permanente para impor medo à população, assegurar o domínio territorial da facção e dificultar a atuação das forças de segurança.
Golpe da “falsa central telefônica” também é alvo da operação
Além do combate ao tráfico de drogas, a operação cumpre mandados contra integrantes de uma organização criminosa especializada no golpe conhecido como “falsa central telefônica”. Os investigados são apontados como participantes da estrutura financeira da fraude e responsáveis pelo recebimento dos valores obtidos ilegalmente. A investigação é conduzida pela 26ª DP em conjunto com a Polícia Civil do Estado do Piauí.
As apurações revelaram que os criminosos se passavam por funcionários do setor de segurança de bancos para enganar as vítimas. Nas ligações, criavam uma falsa situação de urgência, alegando que a conta bancária havia sido comprometida, e induziam as vítimas a entrar em contato com uma central clandestina controlada pela quadrilha.
Fazenda de criptomoedas funcionava em merdado do Complexo do Lins — Foto: Reprodução/Polícia Civil
Dessa forma, os suspeitos conseguiam assumir o controle de contas bancárias e aplicativos financeiros, realizando transferências e outras movimentações fraudulentas.
Centro de mineração funcionava com energia clandestina
Ao adentrar o mercado que servia de fachada, os policiais localizaram o centro de mineração de criptomoedas equipado com diversos computadores utilizados no processamento e validação de transações digitais. Investigadores destacam que operações desse tipo costumam apresentar altíssimo consumo de energia elétrica. No imóvel alvo da ação, todos os equipamentos estavam conectados a uma rede elétrica improvisada, caracterizando ligação clandestina.
Fazenda de criptomoedas funcionava em merdado do Complexo do Lins — Foto: Reprodução/Polícia Civil