Por que a União Europeia tirou a carne brasileira da sua lista de exportadores?
União Europeia excluiu o Brasil da lista de exportadores de carne por falha na entrega de relatórios sobre controle de antimicrobianos nos rebanhos
Por ContraFatos 06/06/2026 Atualizado em 06/06/2026
O bloco europeu ocupa o posto de segundo maior comprador de todas as carnes do Brasil | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Bloco europeu retirou o Brasil da lista de exportadores autorizados por falha no envio de relatórios sobre antimicrobianos
A partir do dia 3 de setembro deste ano, o Brasil não poderá mais enviar carne bovina, frango, cavalo, peixe, tripas e mel para a União Europeia. A decisão foi oficializada na sexta-feira, 5, quando o bloco econômico publicou documento excluindo o país da lista de nações habilitadas a comercializar produtos de origem animal no mercado europeu.
Motivo da sanção: ausência de dados sobre controle de medicamentos
De acordo com o documento oficial, o governo brasileiro não entregou os relatórios obrigatórios sobre o controle de antimicrobianos nos rebanhos. A punição aplicada por Bruxelas está diretamente ligada à falta de comprovação de que o país segue regras contra o uso excessivo de remédios e hormônios de crescimento na engorda do gado.
Leitura
As normas europeias vedam o uso de substâncias como virginiamicina, avoparcina, cacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina na ração animal. Em abril, o Ministério da Agricultura tentou se adiantar ao impasse publicando uma portaria que proibia a fabricação e o uso de parte desses componentes. Segundo especialistas, porém, o retorno ao mercado europeu depende da proibição em lei das substâncias restantes ou da implementação de um sistema oneroso de rastreamento individual do gado.
Concorrentes do Mercosul seguem exportando normalmente
Enquanto o Brasil enfrenta o veto, vizinhos como Argentina, Uruguai e Paraguai mantiveram suas certificações intactas e continuam livres para vender ao mercado europeu. A liderança da Comissão Europeia para a Saúde informou que o Brasil pode reconquistar o selo assim que apresentar as defesas técnicas exigidas pelo bloco.
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Impacto bilionário: Europa é o segundo maior comprador de proteínas brasileiras
O prejuízo potencial para o agronegócio nacional é significativo. A União Europeia figura como segunda maior compradora de todas as carnes do Brasil, atrás apenas da China. Quando se consideram exclusivamente os cortes bovinos, os países da comunidade europeia ocupam a terceira posição em faturamento, superados por chineses e norte-americanos.
Entidades do setor tentam reverter o bloqueio antes do prazo
As associações de exportadores buscaram minimizar o impacto da medida. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) declarou que os frigoríficos nacionais atendem aos protocolos internacionais e vendem para mais de 170 países sem enfrentar problemas graves. Segundo a entidade, o Brasil possui um dos modelos de vigilância sanitária mais rígidos do planeta.
Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) prometeu enviar os dados técnicos ao bloco econômico antes do prazo final de setembro para tentar reverter o bloqueio comercial. A ABPA assegurou que os produtores nacionais de aves e suínos cumprem as normas de segurança de alimentos e afirmou que vai trabalhar junto aos técnicos do governo federal para restabelecer as exportações.