A camisa da seleção no centro da disputa política
A camisa da seleção colombiana já era motivo de controvérsia antes mesmo da cerimônia de despedida. Horas antes do evento, a juíza Aura Luz Forero, do Juizado 120 Penal Municipal de Bogotá, emitiu uma medida provisória proibindo Abelardo de la Espriella e seu movimento de usar a camisa do time nacional em propagandas, redes sociais e comícios. A decisão judicial entendeu que o uso eleitoral do uniforme feria o direito de igualdade, pois o candidato tentava se apropriar de um símbolo nacional que pertence a todos os colombianos.
Apesar da proibição direcionada à direita, o presidente Petro compareceu à cerimônia de despedida na Base Aérea de CATAM, em Bogotá, vestindo justamente a camisa da seleção. Sua filha Antonella também usava o uniforme. Políticos da ala conservadora reagiram com indignação.
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Entrar no grupo “A liberdade de expressão inclui vestir-se como cada um quiser, sem imposições”, desabafou a liberal senadora María Fernanda Cabal. “Viva a seleção.”
A reação da família Petro e a resposta de James
Conforme as imagens divulgadas no vídeo, Antonella se aproximou do ídolo James Rodríguez durante a cerimônia oficial e pediu uma foto. O jogador, porém, seguiu adiante cumprimentando a comitiva sem atendê-la. O suposto desprezo do craque rapidamente se tornou debate nacional.
Andrea Petro, irmã mais velha de Antonella, fez duras críticas ao jogador nas redes sociais, classificando a atitude como desrespeitosa. Outros políticos e torcedores também reprovaram o comportamento do meia.
James afirmou que não escutou o chamado de Antonella por causa do barulho intenso na cerimônia e brincou dizendo “na próxima, fale mais alto”. A própria Antonella optou por contornar a situação, aceitou as desculpas e pediu união em torno da seleção. O presidente Petro também buscou encerrar a polêmica e manifestou apoio a James.
Direita acusa governo de monopolizar símbolos nacionais
A senadora María Fernanda Cabal e outros políticos da ala conservadora acusaram o governo de esquerda de Gustavo Petro de tentar “monopolizar” os símbolos nacionais. Para a direita colombiana, a presença de Petro com a camisa da seleção no mesmo dia em que a Justiça proibiu o uso eleitoral do uniforme por Espriella evidenciou uma contradição. O episódio com James Rodríguez acabou transformando o craque em um improvável herói da direita no país, em plena corrida eleitoral.