EstataI enfrenta queda nas receitas, alta nas despesas e busca empréstimo de R$ 20 bilhões para evitar colapso
O prejuízo acumulado pelos Correios chegou a R$ 6 bilhões até setembro deste ano — quase três vezes o registrado no mesmo período de 2024, quando as perdas já ultrapassavam R$ 2 bilhões.
Relatórios internos apontam um cenário de receitas em queda, despesas operacionais em alta e novas pressões vindas de obrigações judiciais e trabalhistas, fatores que ampliaram de forma acelerada o rombo financeiro.
Empréstimo de R$ 20 bilhões: governo corre para evitar interrupção de serviços
Para conter o avanço da crise, a atual gestão da estatal vem negociando com bancos públicos e privados um empréstimo de R$ 20 bilhões, que terá garantia do Tesouro Nacional.
A operação é tratada pelo governo como essencial para impedir a interrupção dos serviços e estabilizar a empresa. A expectativa é fechar o acordo na próxima semana.
Segundo a direção da estatal, o valor será liberado em duas ou mais parcelas, estratégia pensada para evitar que recursos fiquem parados — o que geraria custos imediatos com juros, já que parte do montante só deve ser utilizada a partir de 2026.
Pagamento parcelado e carência estendida
O empréstimo terá prazo de 15 anos para pagamento, com carência mínima de dois anos antes do início das amortizações.
Cortes profundos: 10 mil demissões e mil agências fechadas
O plano de reestruturação que acompanha o empréstimo prevê medidas drásticas, entre elas:
- saída de pelo menos 10 mil funcionários por meio de um PDV;
- fechamento de mil agências em todo o país.
A direção dos Correios projeta que, sem essas medidas, as perdas podem alcançar R$ 23 bilhões em 2026, ampliando o risco de colapso financeiro da estatal.