Rodrigo Paz adota agenda liberal após duas décadas de governos de esquerda e enfrenta crise fiscal e cambial
O presidente Rodrigo Paz, que assumiu o comando da Bolívia em novembro de 2025, iniciou um amplo pacote de redução de impostos como parte de sua estratégia para estimular a economia e recuperar a confiança de investidores. Embora a medida tenha sido descrita por aliados como um “imposto zero”, o próprio governo esclarece que não se trata da eliminação de todos os tributos, mas de um corte seletivo e de uma reestruturação do sistema tributário.
A chegada de Paz ao poder marcou o fim de quase 20 anos de governos de esquerda, liderados pelo Movimento ao Socialismo (MAS), e sinalizou uma guinada para políticas mais orientadas ao mercado.
Crise econômica pressiona governo por medidas de choque
A Bolívia atravessa um período de grave deterioração econômica, caracterizado por reservas internacionais em níveis críticos, inflação elevada e queda nas receitas públicas. Esse cenário reduziu a margem de manobra do Estado e levou o novo governo a adotar medidas consideradas emergenciais para destravar a atividade econômica.
Segundo integrantes do Palácio Quemado, a prioridade é reverter a fuga de capitais, atrair investimento estrangeiro e estimular o setor produtivo.
Corte seletivo de tributos e fim do imposto sobre grandes fortunas
Dentro do pacote anunciado por Rodrigo Paz, o governo decidiu eliminar uma série de tributos considerados de baixo rendimento, que, segundo a avaliação oficial, geravam pouca arrecadação e funcionavam como barreiras ao investimento.
Entre as medidas confirmadas estão:
- Revogação do imposto sobre grandes fortunas, que atingia menos de 1% da população mais rica;
- Extinção do imposto sobre jogos de azar;
- Fim de taxas sobre transações financeiras;
- Eliminação de tributos incidentes sobre promoções e atividades específicas.
O governo argumenta que esses impostos tinham alto custo administrativo e baixo retorno fiscal, além de contribuir para a informalidade.
Simplificação tributária e foco na competitividade
Além dos cortes, o plano de Paz prevê a simplificação do sistema tributário, com menos impostos e regras mais claras. A proposta é tornar a Bolívia mais competitiva no cenário regional, especialmente frente a países vizinhos que disputam capital estrangeiro.
Integrantes da equipe econômica afirmam que a redução de tributos será acompanhada por ajustes fiscais, revisão de gastos públicos e estímulos à formalização da economia.
Governo nega “imposto zero” generalizado
Apesar da retórica de aliados e apoiadores, o governo reforça que não zerou todos os impostos. Tributos centrais para o financiamento do Estado permanecem em vigor, enquanto a estratégia se concentra em desonerar setores específicos e remover impostos considerados ineficientes.
A equipe de Rodrigo Paz sustenta que o sucesso da política dependerá da retomada do crescimento econômico, que ampliaria a base de arrecadação mesmo com alíquotas menores.