Presidente do Banco do Brasil é processada pela CVM após declaração considerada ‘excessivamente positiva’
CVM processa Tarciana Medeiros e Marco Geovanne Tobias por declaração sobre ações do Banco do Brasil considerada excessivamente positiva e capaz de induzir investidores a…
Por ContraFatos 18/08/2026 Atualizado em 18/08/2026
Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Tarciana Medeiros e vice-presidente de RI são acusados de induzir investidores a erro durante videoconferência de resultados
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) instaurou um processo sancionador contra Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, e contra o vice-presidente de Relações com Investidores da instituição, Marco Geovanne Tobias. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo nesta segunda-feira, 17.
Origem do caso: frase durante teleconferência de resultados
O processo tem como ponto de partida uma declaração feita por Tarciana Medeiros na videoconferência de divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025. Na ocasião, ao comentar sobre o desempenho das ações do Banco do Brasil, a executiva afirmou: “quem tem, mantenha; quem não tem, compre”.
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A área técnica da CVM considerou a fala “excessivamente positiva, podendo induzir o investidor a erro”. A acusação foi formalizada e será submetida a julgamento pelo colegiado do órgão regulador. Segundo a reportagem, Tarciana deverá ser notificada nos próximos dias.
Qual norma teria sido violada?
De acordo com a acusação, a declaração pode ter infringido o artigo 15 da Resolução 80 da CVM. Essa norma determina que empresas com valores mobiliários negociados no mercado devem divulgar informações “verdadeiras, completas, consistentes e que não induzam o investidor a erro”.
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O processo sancionador representa uma acusação formal, semelhante a uma denúncia, que passará por análise e julgamento antes de qualquer penalidade eventual.
Defesa do Banco do Brasil
Ainda em agosto de 2025, o Banco do Brasil já havia encaminhado explicações à CVM a respeito da declaração. Na defesa apresentada naquela ocasião, a instituição argumentou que a fala deveria ser interpretada “dentro do contexto de todo o evento de divulgação do resultado”. O banco também negou que houvesse, por parte de Tarciana, qualquer intenção de influenciar decisões de investimento, alegando que todas as informações mencionadas já eram de domínio público.
Em nota enviada a O Globo, o Banco do Brasil informou que “prestará os esclarecimentos à CVM tão logo tenha acesso à integra do processo”. A instituição ainda fez questão de ressaltar a atuação da empresa e de seus executivos “com base na transparência, diligência, responsabilidade e diálogo”.