Movimento nos bastidores do Planalto mira impacto eleitoral e desgaste no STF
Diante do cenário de tensão envolvendo o Supremo Tribunal Federal, o presidente Lula (PT) avalia alternativas para reduzir os danos políticos que a crise pode provocar em seu governo e na disputa pela reeleição. Segundo informações do jornal O Globo, uma das estratégias em análise envolve o ministro Dias Toffoli, indicado pelo próprio petista à Corte.
A possibilidade discutida nos bastidores é que Toffoli se afaste do cargo alegando motivos de saúde. Esse movimento poderia, em um segundo momento, evoluir para um pedido de renúncia. A medida seria vista como uma tentativa de diminuir a pressão sobre o Supremo e, ao mesmo tempo, preservar a posição de Alexandre de Moraes, figura central no atual embate institucional.
Relação com Moraes pesa na decisão
A avaliação dentro do governo é que Lula não pretende se distanciar de Moraes. Dois fatores sustentam essa posição. O primeiro é o papel desempenhado pelo ministro na condução da ação penal relacionada à tentativa de golpe, que levou à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de integrantes da cúpula de sua gestão.
O segundo motivo é a associação direta que se consolidou entre o governo Lula e Alexandre de Moraes. Para aliados do presidente, qualquer agravamento da crise no Supremo, especialmente com Moraes no centro das atenções, tende a impactar diretamente a imagem do governo e, por consequência, o cenário eleitoral.
Pressões aumentam com novos elementos
Relatos indicam que Lula tem mencionado a interlocutores que a Polícia Federal já identificou outros episódios que podem comprometer a situação de Dias Toffoli. Investigações recentes trouxeram novos elementos à tona.
Mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, incluem referências ao ministro. Além disso, Toffoli reconheceu ter recebido repasses financeiros por meio da empresa Maridt, da qual foi sócio junto com familiares.
A empresa realizou a venda de participações no grupo Tayaya Ribeirão Claro para um fundo sob controle da Reag, uma gestora de investimentos ligada ao Banco Master, também pertencente a Vorcaro.
Desconfiança cresce entre a população
O ambiente de instabilidade no Supremo também se reflete na percepção pública. Pesquisa Quaest divulgada em 12 de março aponta que 49% dos brasileiros dizem não confiar no STF, enquanto 43% afirmam confiar.
Esse é o primeiro levantamento em que a desconfiança supera a confiança na Corte. O estudo também revela que 59% dos entrevistados enxergam o Supremo Tribunal Federal como aliado do governo Lula.