Saída poderia anular decisões já tomadas
Nos bastidores, Toffoli avalia que uma eventual saída da relatoria provocaria efeitos práticos relevantes. Segundo a apuração, o ministro entende que o afastamento resultaria na anulação automática de todas as decisões já proferidas, o que faria a investigação retornar à estaca zero. Nesse cenário, seriam invalidados depoimentos, acareações e mandados de busca e apreensão já cumpridos.
Essa leitura tem sido usada como um dos principais argumentos para sustentar a continuidade do ministro à frente do caso.
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Entrar no grupo Críticas internas e questionamentos institucionais
A condução do inquérito por Toffoli tem sido alvo de críticas internas, segundo a Folha. Integrantes da Polícia Federal (PF) consideram incomuns algumas decisões tomadas ao longo da investigação. O mesmo desconforto é relatado entre membros do Banco Central e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre os pontos citados estão a imposição de sigilo rigoroso sobre o processo, a realização de uma acareação durante o recesso do tribunal e mudanças sucessivas quanto à custódia das provas e ao acesso aos materiais apreendidos.
Disputa sobre perícia e guarda das provas
O episódio mais recente de tensão envolve a escolha dos peritos responsáveis por analisar o material recolhido na investigação. Toffoli decidiu nomear quatro profissionais de sua preferência, enquanto a PF sustenta que cabe à corporação a prerrogativa de indicar os peritos.
Também houve idas e vindas sobre quem deveria manter a guarda das provas. Inicialmente, os materiais ficaram sob custódia do gabinete do ministro, depois foram encaminhados à PGR e, por fim, tiveram acesso autorizado aos peritos da PF.
Silêncio da presidência do STF e desgaste interno
Segundo a Folha, o presidente do STF, Edson Fachin, enfrenta um impasse interno sobre como administrar o desgaste provocado pelo caso sem isolar colegas da Corte. Até o momento, ele tem permanecido em silêncio tanto sobre as condutas de Toffoli quanto sobre as do ministro Alexandre de Moraes.
Moraes passou a ser citado no contexto do inquérito após reportagem de O Globo revelar um contrato milionário entre o escritório de advocacia de sua esposa e o Banco Master. O ministro, no entanto, nega qualquer influência desse vínculo em sua atuação.
Toffoli sofre pressão interna no STF
Antes da sinalização de permanência, a saída de Toffoli da relatoria chegou a ser tratada como cenário provável dentro do tribunal. Reportagem de O Globo indicou que havia, entre ministros do STF, a avaliação de que ele teria dificuldade para seguir à frente do processo.
Segundo essa apuração, dois fatores alimentaram a pressão: a sequência de decisões tomadas desde o início do caso, algumas posteriormente revistas, e a percepção de um possível conflito de interesses envolvendo o ministro e pessoas ligadas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Reportagens da Folha e de O Estado de S.Paulo apontaram conexões entre um resort no Paraná, pertencente a parentes de Toffoli, e fundos de investimento associados ao esquema investigado. Esses vínculos passaram a ser mencionados internamente como mais um elemento de desgaste da relatoria.
Ainda conforme a apuração, nenhum outro ministro se dispôs a defender publicamente a permanência de Toffoli no caso. Entre as alternativas discutidas nos bastidores, a considerada mais viável seria um pedido de afastamento voluntário, sob alegação de problemas de saúde.
Caso isso ocorresse, o inquérito seria redistribuído por sorteio a outro ministro do STF. A mesma reportagem indicou que a defesa de Vorcaro trabalhava para que o processo fosse encaminhado ao ministro Nunes Marques, hipótese vista nos bastidores como decisiva para os rumos da investigação, que envolve suspeitas de irregularidades financeiras de grande impacto.